Jornal de Estudos Espíritas - Volume 8 - 2020

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Seção 1: Comentários

Editorial 2020

Caráter Progressivo do Espiritismo versus Responsabilidade do Movimento Espírita: Dúvidas e Solução

Alexandre Fontes da Fonseca (EDITOR)

Publicado online em 01 de Janeiro de 2020.

Artigo número 010101 - [PDF (486 Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010101].


Seção 2: Artigos Regulares


Artigo 010201

• Evocação direta de Espíritos: quatro condições necessárias para fazê-la com um fim sério

Alexandre Fontes da Fonseca

Publicado online em 08 de Janeiro de 2020.

Artigo número: 010201 - [Resumo - PDF (1110 Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010201].

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Cresce no movimento espírita, o interesse na realização de evocações diretas de Espíritos numa reunião mediúnica. O principal argumento para esse interesse é a recomendação positiva de Kardec para isso. Em contraponto, autores espirituais, como Emmanuel pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, sugerem e recomendam que não se realizem evocações diretas de Espíritos em reuniões mediúnicas. E recomendam que deixemos para os bons Espíritos a escolha dos Espíritos que irão se comunicar. Em vista deste impasse, propomos uma análise reflexiva das condições necessárias para a realização de evocações diretas com "um fim sério", conforme orienta Kardec. Mostramos que esse trabalho é possível de ser realizado, porém exige estudo, preparo e planejamento que muitos adeptos espíritas podem não ter condições de realizar. Concluímos não em desfavor da realização de evocações diretas, mas alertando que sem satisfazer as condições necessárias propostas aqui, a realização dessas evocações pode não ter "um fim sério". Nisso, também concluímos que recomendações de se evitar a evocação direta, como feita por Emmanuel, são sensatas pois atendem às condições da maioria dos adeptos do Espiritismo.

Artigo 010202

• Mecanismos da Mediunidade segundo o Espiritismo

Alexandre Fontes da Fonseca

Publicado online em 19 de Fevereiro de 2020.

Artigo número: 010202 - [Resumo - PDF (2019 Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010202].

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"Mecanismos da mediunidade" é o título de obra espírita de natureza mediúnica, muito conhecida no meio espírita. Com base em conceitos de Física, Química e Engenharia Elétrica, essa obra se propôs a apresentar uma explicação dos mecanismos do fenômeno mediúnico. Em vista dos conceitos científicos utilizados não serem de fácil entendimento dos companheiros espíritas em geral e do crescente interesse do movimento espírita em descrever os fenômenos espíritas com base apenas na Doutrina Espírita, apresentamos o primeiro estudo sobre os mecanismos da mediunidade segundo, apenas, as obras de Kardec. Basicamente, os mecanismos da mediunidade segundo o Espiritismo decorrem dos seguintes conceitos: i) os Espíritos modificam o Fluido Universal (FU) através do pensamento e vontade, impregnando-o de qualidades e informações que desejem; ii) o perispírito é formado pela condensação do FU em torno do Espírito que é o foco de inteligência, e as qualidades dos fluidos do perispírito dependem do grau de evolução do Espírito; iii) o perispírito serve de transmissão ao pensamento, como o fio elétrico; iv) os Espíritos se comunicam com os médiuns da mesma forma que com os Espíritos propriamente ditos, tão só pela irradiação dos seus pensamentos; v) para um Espírito desencarnado se comunicar com o do encarnado, o fluido do médium, através da sua expansão perispiritual, se combina com o perispírito do Espírito desencarnado; vi) os Espíritos tem mais facilidade para responder, por efeito da afinidade existente entre o nosso perispírito e o do médium que nos serve de intérprete. A explicação para esses itens e as devidas citações em Kardec são apresentadas no artigo. Esse artigo pode ser usado como base para preparação ou revisão de cursos sobre Espiritismo e mediunidade.

Artigo 010203

• Spiritism: An experimental approach to the issue of personal post-mortem survival

Silvio Seno Chibeni

Published online in 15 April 2020.

Work presented at the 9th ENLIHPE - São Paulo - SP.

Article number: 010203 - [Abstract - PDF (1830 Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010203].

Abstract (open/close)

This article examines the contribution of the French 19th-century thinker Allan Kardec to the controversial issue of the survival of human personality after bodily death. The discussion is set against the background of modern epistemology. It is shown that, by breaking with all the previously attempted metaphysical and theological approaches, Kardec brought the dispute to a new ground, in which fruitful, empirically-based research on this old and important issue has, in principle, become possible.

Artigo 010204

• Os três "nãos" de Kardec e o zelo pela Doutrina Espírita

Alexandre Fontes da Fonseca

Publicado online em 25 de Maio de 2020.

Artigo número: 010204 - [Resumo - PDF (1116 Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010204].

Resumo (abrir/fechar)

O verbo “zelar” tem vários significados, dentre eles, "vigiar", "tomar conta", "velar", "proteger", etc. Quando se pensa no zelo pela doutrina espírita, percebe-se dois extremos de opinião: i) a de negar prontamente tudo o que está fora dos textos das obras fundamentais de Kardec; ii) e a de considerar que a doutrina espírita não precisa de defesa, cuidado ou vigilância. A primeira, embora prudente até certo ponto, é incondizente com o caráter progressivo da doutrina espírita. A segunda, embora aberta ao progresso, pode abrir brechas para conceitos e práticas incoerentes com a doutrina espírita e que desviam as pessoas dos seus objetivos. Neste artigo, apresentamos e discutimos a respeito de três exemplos de zelo pela doutrina espírita demonstrados por Kardec, através de "nãos" que ele deu a três propostas ou ideias. Embora sérias, inovadoras e muito bem apresentadas, essas propostas foram rejeitadas por Kardec por serem incoerentes com a ciência, com a moral e/ou com a própria doutrina espírita. Cumpre destacar que essas propostas ou ideias continham conceitos cujas nuances de interpretação não eram triviais, o que faz ressaltar a atenção e o cuidado por parte de Kardec. Por isso, elas não pareciam ser estranhas à doutrina espírita ou, ainda, as suas recomendações de andar de par com o progresso. Por terem partido, cada proposta, de personalidades importantes, respeitadas, e que poderiam ser consideradas como verdadeiras autoridades nos respectivos assuntos, esses "nãos" de Kardec exemplificam a prioridade que devemos dar antes ao conteúdo das ideias do que aos seus autores. Os "nãos" de Kardec exemplificam o sentimento de caridade que se deve ter na forma de expressar discordâncias, com destaque para o respeito ao direito de livre pensamento. Por tudo isso, concluímos que o zelo de Kardec para com a doutrina espírita é, na verdade, um zelo conosco pois, como dedicado educador, revela o respeito, o cuidado e a responsabilidade que ele tinha para com as futuras gerações de adeptos do Espiritismo.

Artigo 010205

• Espiritismo e evolução do princípio inteligente - Três Reinos?

Ricardo A. Terini

Publicado online em 16 de Julho de 2020.

Artigo número: 010205 - [Resumo - PDF (2633Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010205].

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Na formulação do Espiritismo como ciência de observação, Allan Kardec sempre se preocupou em apresentar os conceitos doutrinários associados às idéias científicas aceitas na sua época, visando integrá-lo à cultura vigente. E buscava atualizar-se, consolidando a doutrina de modo que a confiança nela pudesse “enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”. Em O Livro dos Espíritos, Kardec menciona uma classificação dos seres da Natureza em três reinos, incluindo os minerais, com base em divisão científica aceita desde o século XVIII. O presente trabalho analisa a evolução dessa concepção biológica após Kardec, quando ela passou a incluir apenas os seres vivos, derivando para o evolucionismo das espécies e do ser humano (darwinismo), aprofundado e consolidado com o desenvolvimento, no século XX, da biologia evolucionista e com o mapeamento do genoma humano. Nesse livro, Kardec aborda com cuidado o terreno da ciência biológica das espécies. Após a publicação de A Origem das Espécies por Charles Darwin em 1859, Kardec, em vários artigos na Revista Espírita, avançaria os conceitos da Doutrina em consonância com o desenvolvimento da Ciência da evolução. Em A Gênese, em 1868, Kardec formularia a hipótese sobre a origem do corpo humano em que nossa descendência biológica dos primatas apareceria como a conclusão mais provável. No entanto, diferentemente da preocupação de Kardec, a evolução dessa concepção biológica não tem sido levada em conta pela maioria dos divulgadores do Espiritismo, que continuam a ensinar os mesmos Três reinos ainda hoje, comprometendo a própria credibilidade da Doutrina na sociedade. Por outro lado, O Livro dos Espíritos introduz a ideia de que os Espíritos humanos se desenvolveram e individualizaram em várias existências nas espécies ditas inferiores da Natureza. Em A Gênese, a hipótese da evolução espiritual através das espécies vivas seria desenvolvida, confirmando-se que “nesse primeiro período a alma se elabora e ensaia para a vida”. Ali, Kardec avançaria também na compatibilização entre a evolução do princípio espiritual e a teoria da evolução das espécies vivas, analisando que, na época do surgimento dos primeiros hominídeos na Terra, os corpos de macaco existentes teriam sido muito adequados para a encarnação dos primeiros Espíritos humanos que vieram habitar a Terra. As conclusões atuais da biologia evolucionária e da paleontologia têm sido bastante compatíveis com essas teses espíritas. A análise aqui apresentada confirma que o Espiritismo e a Ciência se completam e se fortalecem um ao outro, e que a divulgação adequada desses dados irá certamente contribuir para fortalecer e arejar nossa fé raciocinada.


Artigo 010206

• Seriam autênticas as mensagens mediúnicas atribuídas a Allan Kardec insertas na obra de Léon Denis, O Gênio Céltico e o Mundo Invísivel?

Leonardo Marmo Moreira

Publicado online em 09 de Agosto de 2020.

Artigo número: 010206 - [Resumo - PDF (1072 Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010206].

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O presente artigo faz uma análise das mensagens de origem mediúnica atribuídas ao Espírito Allan Kardec, as quais se encontram inseridas na obra de Léon Denis, O Gênio Céltico e o Mundo Invisível (GCMI). Essa obra, GCMI, é a última elaborada pelo grande espírita Léon Denis, tendo sido publicada no ano de desencarnação desse extraordinário divulgador do Espiritismo, em 1927. A avaliação do conteúdo das respectivas mensagens, conforme aprendemos na Codificação, permite concluir pela substancial improbabilidade de que as mensagens sejam autênticas, ou seja, que sejam mesmo de autoria do Codificador do Espiritismo, Allan Kardec. Tudo indica que elas sejam realmente de origem mediúnica, pelo que Denis nos informa, não sendo nem fraude e nem animismodo médium. No entanto, a autoria espiritual não poderia ser atribuída a Allan Kardec em função do excesso de patriotismo, misticismo, erros doutrinários e tendências ao sincretismo religioso que elas apresentam, o que as fazem divergir completamente do conteúdo que Kardec redigiu e propagou em vida física. O presente artigo faz uma introdução a respeito do contexto no qual essas mensagens foram recebidas e faz uma análise, à luz da Doutrina Espírita, de algumas passagens, também especulando sobre fatores que levaram Denis a admiti-las como de Allan Kardec. Obviamente, a conclusão de que não são de Allan Kardec reforça a necessidade de mais cuidado na avaliação das mensagens de origem mediúnica em nosso movimento espírita, o que é discutido na última seção.

Artigo 010207

• Os estudos reencarnatórios de Hermínio Miranda e Luciano dos Anjos, baseados em "simetrias históricas", seriam abordagens científicas?

Leonardo Marmo Moreira

Publicado online em 23 de Setembro de 2020.

Artigo número: 010207 - [Resumo - PDF (1600 Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010207].

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O presente trabalho busca responder uma questão bastante ampla e significativa para o estudo da Doutrina Espírita e para o contexto atual do nosso movimento espírita: Os estudos reencarnatórios de Hermínio C. Miranda e Luciano dos Anjos, baseados em “simetrias históricas”, a partir de biografias e dados históricos correlacionados, poderiam ser considerados como abordagens racionais, doutrinárias e/ou científicas? Este artigo faz um levantamento introdutório sobre a pesquisa atual da reencarnação, com especial destaque para a contribuição de Ian Stevenson e analisa o caráter altamente inusual dos estudos reencarnatórios de Hermínio Miranda e Luciano dos Anjos. Para isso, é feito um apanhado de vida e obra de Hermínio e Luciano, com especial destaque para o início da parceria dos dois. Também são destacados vários excertos de obras de ambos, nos quais sugestões de reencarnações entre personalidades famosas são explicitadas. Análises comparativas com outras informações reencarnatórias contraditórias oriundas de médiuns e autores espíritas e espiritualistas são elaboradas. Finalmente, uma avaliação do valor do legado das obras que foram produzidas por ambos, através dessa metodologia, é discutida à luz da Doutrina Espírita, juntamente com uma análise sobre as especulações reencarnatórias vigentes atualmente no movimento espírita.

Artigo 010208

• A vida e obra de H. L. D. Rivail e Allan Kardec

Raul Franzolin Neto

Publicado online em 08 de Outubro de 2020.

Artigo número: 010208 - [Resumo - PDF (3835 Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010208].

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O Hippolyte Léon Denizard Rivail tem a sua vida e obra em duas fases distintas. Na primeira, estudando e trabalhando como educador na qual contribuiu com publicações relevantes para o sistema educacional francês. Na segunda, a partir de 1857, quando adota o pseudônimo Allan Kardec e passa a se dedicar integralmente a decifrar as relações entre o mundo visível e invisível, a chamada codificação espírita. Biógrafos têm envidado esforços para registrar os momentos significantes desse incansável trabalho desenvolvido com sucesso. Muitas informações disponíveis na internet são replicadas de poucas fontes, principalmente da biografia escrita por Henri Sausse, em 1909. Esta revisão bibliográfica aborda a vida e obra do professor Rival e de Allan Kardec agregando dados de documentos históricos recentemente divulgados, visando contribuir para o conhecimento do Espiritismo, com informações destacadas sobre o trabalho do seu codificador.

Artigo 010209

• Uma revisão na história da 5a edição de A Gênese Parte I - Os eventos relacionados à impressão e à publicação da edição de 1869

Adair Ribeiro Jr., Carlos Seth Bastos & Luciana Farias

Publicado online em 06 de Dezembro de 2020.

Artigo número: 010209 - [Resumo - PDF (1386 Kb) - DOI: http://dx.doi.org/10.22568/jee.v8.artn.010209].

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Última obra de Allan Kardec, A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo foi lançada em 1868 e “revista, corrigida e aumentada” em sua 5a edição. Desde então, o texto atualizado desta obra foi amplamente difundido tanto no original quanto em traduções em diversas línguas. Na Argentina, após ser disponibilizada em 2010 uma tradução para o espanhol com base no texto atualizado, foi levantada uma suspeita de que esta edição não conteria o texto definitivo escrito por Kardec, o que levou a uma investigação acerca da questão: qual o texto definitivo de A Gênese? A conclusão, apresentada em 2017, defende a seguinte tese: o texto definitivo é o da 1a edição (da 2a à 4a edição, o conteúdo é idêntico ao da 1a), pois a atualização não foi elaborada pelo autor em vida, se tratando portanto de uma adulteração póstuma, publicada em 1872, com modificações significativas em alguns conteúdos doutrinários. A partir da descoberta de um exemplar da 5a edição atualizada da obra, datado de 1869, foi empreendida uma pesquisa bibliográfica e documental, conduzida de forma colaborativa, na qual foram encontradas evidências que corroboram a hipótese mais provável de que Allan Kardec é o autor desta edição, consequentemente apontando-a como sendo o texto definitivo. Este artigo, que é a primeira parte de uma série de estudos sobre os eventos em torno da história da publicação da 5a edição de A Gênese, apresenta eventos referentes à impressão e à publicação da 5a edição em 1869, sugerindo que: i) o texto desta edição já tinha sido concluído por Kardec em setembro de 1868; ii) sua impressão foi solicitada em fevereiro do ano seguinte; e iii) o período mais provável para sua publicação foi entre abril e maio, sob os cuidados de Amélie Boudet, sucessora do marido e legalmente responsável por concluí-la.