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Sentido de Giro em Térmicas

Do ponto de vista apenas aerodinâmico e de velocidade relativa, o giro, pró ou contra o da rotação da térmica não iria afetar o desempenho, mas considerando-se as forças em equilíbrio, como o vôo em curva, mesmo em velocidade constante, é sempre um vôo acelerado (variação na direção do vetor velocidade), resulta que o giro no sentido contrario ao da rotação do ar, leva à redução na aceleração centrípeta e irá exigir inclinações laterais um pouco menores para um mesmo círculo, ou permitir circular um pouco mais apertado com a mesma inclinação.

Este pequeno efeito será tanto maior quanto mais lenta for a velocidade da aeronave, quanto mais perto do centro da térmica esta estiver voando, e quanto mais rápido for o giro da térmica. Dá para ser notado ao se centrar um "dust devil" num ou em outro sentido. Num caso limite, e imaginário no qual a velocidade de vôo fosse igual a velocidade tangencial do ar na térmica, voando contra sua rotação poder-se-ia subir apenas pairando com inclinação nula, enquanto que para se voar no sentido de sua rotação seria necessário uma inclinação muito forte para não ser expulso!

O problema básico é que não se pode saber qual o sentido de rotação da térmica, pois a aceleração de "Courriolis" sendo muito pequena, somente determina o sentido de rotação para grandes deslocamentos como os das massas de ar quente (do equador para os trópicos) ou frias (dos pólos para os trópicos). Assim sendo qualquer que seja o hemisfério, devido a acidentes geográficos, gradientes térmicos, etc. encontraremos térmicas (e rodamoinhos de água) rodando em ambos os sentidos, com apenas uma pequena predominância no número das que rodam no sentido esperado, ou seja, anti-horário no nosso hemisfério.

Seja por hábito, treinamento ou outra razão metafísica qualquer, em 80 % dos casos a maioria dos pilotos de planador "enroscam" térmicas pela esquerda , mas quando esta insiste em jogar para fora, se inverte o sentido e tudo fica mais fácil.

Francisco Leme Galvão