(NOVO) SEMINÁRIOS NUR DE FILOSOFIA ISLÂMICA, JUDAICA E EXTREMO-ORIENTAL

SEMINÁRIOS NUR DE FILOSOFIA ISLÂMICA, JUDAICA E  ORIENTAL

 

Objetivos:

Os Seminários NUR de Filosofia Islâmica, Judaica e Oriental estão estruturados como um conjunto de conferências. Estas visam apresentar os trabalhos desenvolvidos e em desenvolvimento no NUR - Núcleo de Pesquisas em Filosofia Islâmica, Judaica e Oriental da UNIFESP, com o intuito de informar os interessados nessas áreas de conhecimento, debater os temas apresentados, aprofundar as questões trazidas pelos palestrantes e esclarecer os possíveis candidatos sobre o vasto repertório do Núcleo, sua diversidade e possibilidades de pesquisa.

Metodologia:

Apresentação de Seminários por parte dos envolvidos, após disponibilização anterior de um curto texto ou material equivalente para esclarecimento prévio dos estudantes; Cada encontro trata de um tema especificado abaixo no Cronograma. O seminário será seguido de debate sobre o tema apresentado;

Avaliação: presença nos encontros virtuais e participação nos debates;

Conteúdo:

1. APRESENTAÇÃO DO NUR: APRESENTAÇÃO DO GRUPO DE PESQUISAS, LINHAS DE PESQUISA,  PROJETOS E AÇÕES; INTRODUÇÃO ÀS FILOSOFIAS ISLÂMICA, JUDAICA E EXTREMO-ORIENTAL


2. TERCEIRA COISA E VIVÊNCIA DE SI EM IBN ‘ARABĪ (Inscrições abertas)

O conceito de “terceira coisa” desenvolvido por Ibn ‘Arabī é único, tanto na Falsafā quanto na Filosofia Ocidental de um modo geral. Em sua imensa obra, ele faz diversas abordagens do tema, sob pontos de vista distintos, e com diferente terminologia. No entanto, podemos encontrar um fio condutor que unifica o tema como o terceiro incluído a partir da correlação dos pares de opostos enquanto processo de unicidade. Essa peculiaridade de seu pensamento o distingue profundamente e é fundamental para a compreensão das múltiplas dimensões de seus textos, que, do contrário, são percebidos como ambíguos. Simultaneamente, unifica sua ontologia e cosmologia, sua antropologia e sua teologia mística, além de nos fornecer elementos para a elaboração de novas abordagens nos estudos contemporâneos da Física e Psicologia. Em minha tese de doutoramento, com base nas noções de receptividade, transitividade e analogia entre o Ser Necessário e o Ser Humano Perfeito, contrapontos do termo árabe wujūd no conceito de terceira coisa, procurei desenvolver princípios filosóficos para a atualização do que Ibn ‘Arabī chama de Ciência dos Barāziḫ, uma Psicologia Akbariana.

3. PRESENÇA DIVINA E LIBERDADE HUMANA NO GUIA DOS PERPLEXOS DE MAIMÔNIDES

O objetivo central é investigar a concepção de liberdade no âmbito de um pensamento que se apoia na ideia de um Criador interferente na história humana, a saber: a filosofia apresentada pelo pensador judeu Moisés Maimônides em seu Guia dos Perplexos. Se considerarmos que o Judaísmo tem como característica principal a crença em um Deus único, capaz de criar e manter a existência do mundo por Sua vontade, e de designar por Sua presença os caminhos dos seres que nele habitam, poder-se-ia afirmar que a ação do homem sofre uma limitação, sendo, em última instância, não fruto do desejo do humano, mas da vontade divina. Ao propor a elucidação da ciência esotérica da Torah e trazer seu modelo cosmológico em que Deus governa via emanações o universo, Maimônides afirma a influência da vontade divina, mas por outro lado, levanta a hipótese de uma providência que é exercida sobre os mais elevados intelectualmente. Isso nos dá margem para repensarmos a realidade dos limites à liberdade humana no pensamento maimonideano, uma vez que, assumir tais limites totalmente, implicaria no descrédito da justiça divina e na responsabilização de Deus pelo mal e o engano humano, o que seria contraditório com a própria fé judaica.

4. A COSMOLOGIA DE JUDÁ ABRAVANEL (Leão Hebreu) -

Esta exposição busca apresentar os principais aspectos da Cosmologia de Judá Abravanel. Este filósofo judeu, que ficou conhecido como Leão Hebreu, escreveu uma obra que virou um “best-seller” na Europa e foi traduzido para diversas línguas. Influenciado pela Academia de Florença e também por sua formação na Península Ibérica, Leão Hebreu traz uma cosmologia sofisticada em sua obra Diálogos de Amor. Em seu universo, inspirado no emanacionismo árabe, o desejo por beleza é o motor de desenvolvimento de todos os seres existentes.

5. LUXÚRIA E ILUMINAÇÃO NO ISLÃ: A ARTE DA CALIGRAFIA.

O desenvolvimento da caligrafia islâmica é compreendido em, ao menos, duas teses distintas. Por um lado, dá-se a ênfase ao florescimento cultural com a expansão do mundo islâmico, cujo contato com as tradições locais ensejava intensa atividade espiritual. Por outro, o vínculo ideológico entre religião e política era claro na promoção dinástica das artes. Em fins do século XIV, o filósofo árabe Ibn Khaldun caracteriza relações decisivas entre poderes central e local, bem como entre tradição e inovação, no interior da civilização islâmica, para a formação das artes caligráficas no Islã. Aponta-se ali um mesmo movimento que conduz ao ápice civilizatório e ao êxtase religioso.

6. FILOSOFIA E JUDAÍSMO EM LEVINAS –

O nome de Emmanuel Levinas encontra-se atrelado de modo quase natural ao que se costuma denominar filosofia da alteridade. Embora a alteridade seja, de fato, um conceito importante dentro da perspectiva filosófica do autor, seu pensamento não se reduz a um apelo, quase pueril, ao acolhimento em um sentido que beira à noção de caridade cristã, na acepção mais cotidiana do termo. O caminho para se chegar à formulação da prioridade do Outro é bastante longo e seu alcance filosófico é muito mais profundo do que se pode imaginar à primeira vista, pois implica um embate com a tradição de pensamento dita ocidental em sua totalidade na busca por uma nova orientação ao pensamento. Neste sentido, pretende-se apresentar o pensamento do filósofo lituano sob a perspectiva de duas tradições distintas, a coexistir em seu horizonte, formando o pano de fundo de onde emergem conceitos importantes de sua filosofia. Por um lado, a tradição filosófica hegemônica, sobretudo, a vertente fenomenológica. Por outro, a tradição judaica religiosa herdada do seio familiar bem como a filosofia desenvolvida entre os judeus, em especial, a renovação do pensamento judaico a partir Hermann Cohen seguido de Franz Rosenzweig. Daremos prioridade neste seminário às discussões acerca da maneira pela qual o judaísmo deve ser admitido enquanto fonte filosófica para Levinas. Para isso, confrontaremos e analisaremos as diferentes abordagens dos comentadores que se dispuseram a discutir essa temática no pensamento levinasiano tentando apontar em que medida elas ajudam ou limitam a leitura do texto levinasiano à luz desta inquietante relação entre filosofia e judaísmo.

 

7. A ANIQUILAÇÃO DA ALMA N´O ESPELHO DAS ALMAS SIMPLES E NADIFICADAS DE MARGUERITE PORETE

 A apresentação tem como objetivo analisar a ideia de aniquilação da alma na obra O espelho das almas simples da filósofa Marguerite Porete, permitindo um possível diálogo com a mística islâmica, ao introduzir no âmbito do neoplatonismo cristão o conceito de aniquilação, muito presente no sufismo. A sua obra representa um itinerário para a realização da união da alma com Deus decorrente do despojamento de si, isto é, a partir da apófase da alma. Todavia, Deus é exposto como agente desta aniquilação e união, o que nos leva a questionar a validade da participação do ser humano em sua jornada de aniquilação. Sabendo que Deus é o agente, qual é a função das obras e esforços humanos? A presente pesquisa pretende investigar a questão da aniquilação da alma e os argumentos expostos pela filósofa para preservar a validade das ações humanas, levando em consideração os esforços dos seres humanos em seu percurso de retorno a Deus, ao mesmo tempo, considerando Deus como agente da aniquilação e da união. Ao ser investigada a validade das ações humanas ante a onipotência Divina, é propiciada a possibilidade de construirmos pontes com a mística islâmica a partir da análise do uso do termo aniquilação na obra poretiana, que suscita estranhamento por não ser algo corrente na tradição cristã medieval.

 

8. CAMINHAR E MEDITAR NAS FILOSOFIAS DO EXTREMO-ORIENTE

Trata-se de uma introdução geral às tradições filosóficas do Extremo-Oriente, conforme certo direcionamento e por meio de alguns conceitos fundamentais. O objetivo é oferecer um roteiro pelo qual seja possível descortinar diálogos, seja do ponto de vista temático, seja no que diz respeito aos problemas filosóficos colocados. Para isso, em primeiro lugar, aborda-se o caminho (dào) da eficiência () para a manter a ordem (zhī), a partir de uma concisa apresentação dos fundamentos do Daoísmo da China Antiga (séc. VI ao IV a.C.). A seguir, explora-se a relação entre caminho (dào) e meditação (chán), desde a introdução do Budismo Mahāyāna na China Imperial/Medieval (séc. V d.C.); por fim, analisa-se a recepção do Budismo Chán chinês nas meditações (zen) do Japão Feudal/Medieval (séc. XII e XIII d.C.), principalmente na escola Sōtō Zen.

 

9. AVERRÓIS E A REPÚBLICA: UMA ANÁLISE SOBRE O GOVERNANTE E OS TIPOS DE GOVERNO NO TEXTO PLATÔNICO.

Nossa apresentação tem por meta analisar a proposta feita por Averróis em seu texto Comentário sobre a República a respeito do governante e dos tipos de governos apresentados por Platão na República. Buscamos entender em que medida o filósofo cordovês adapta os conceitos, reformula-os ou mesmo acrescenta elementos de uma filosofia autoral em vias de atingir seu objetivo - tendo sido chamado pelo título de o "Comentador", Averróis buscava restaurar a filosofia original de Aristóteles, pretendendo excluir de suas investigações o caráter neoplatônico marcadamente presente na leitura de seus contemporâneos. Todavia, o uso da República é pontual (este é o único livro do filósofo ateniense comentado por Averróis). Ele surge como um meio de substituir a Política, livro que, como o próprio filósofo enuncia na introdução, não chegará até ele. Deste modo, a nossa análise se fundamentará em dois dos três livros do Comentário: o Livro II, onde se debate acerca do governante ideal e do melhor tipo de governo, e o Livro III, onde se aborda os demais tipos de governos. Pretendemos através de nossa investigação demonstrar que, muito contrariamente a imagem sedimentada no ocidente de um filósofo secundário, Averróis é um pensador ímpar e de grande valor para esse mesmo ocidente, pois, tal como afirma Alain de Libera, ele é "a peça central do dispositivo intelectual que permitiu ao pensamento europeu construir a sua identidade filosófica".

10. DISCUSSÕES EM FILOSOFIA ISLÂMICA, JUDAICA E ORIENTAL.  Encerramento do Curso; Avaliação dos objetivos e balanço geral das apresentações.

 

 

CRONOGRAMA:

14 de setembroFILOSOFIAS ISLÂMICA, JUDAICA e EXTREMO-ORIENTAL (Profa. Dra. Cecilia C. Cavaleiro de Macedo, Prof. Dr. Jamil Ibrahim Iskandar, Prof. Dr. Luiz Fernando Fontes-Teixeira)

21 de setembro - TERCEIRA COISA E VIVÊNCIA DE SI EM IBN ‘ARABĪ – Profa. Dra. Sandra Regina Benato

05 de outubro - Presença Divina e Liberdade Humana no Guia Dos Perplexos De Maimônides – Profa. Anita Sayuri Aguena (Doutoranda em Filosofia)

19 de outubroA cosmologia de Judá Abravanel (Leão Hebreu) – Prof. Daniel Rodrigues de Assis Martins (Mestre em Filosofia)

26 de outubro –  Luxúria e iluminação no Islã: a arte da caligrafia – Prof. Michel Mustafa (Doutorando em Filosofia)

09 de novembro –  FILOSOFIA E JUDAÍSMO EM LEVINAS – Prof. Romulo Alessandro Ribeiro (Mestrando em Filosofia)

16 de novembro -  A aniquilação da alma n´O espelho das almas simples e nadificadas de Marguerite Porete – Profa. Sarah dos Santos (Mestranda em Filosofia)

23 de novembro  - CAMINHAR E MEDITAR NAS FILOSOFIAS DO EXTREMO-ORIENTE –  Prof. Dr. Luiz Fernando Fontes Teixeira

30 de novembro - Averróis e  a República: Uma análise sobre o governante e os tipos de governo no texto platônico – Prof. Rafael Marques Couto Barretto (Mestrando em Filosofia)

07 de dezembro –  Encerramento do Curso; Avaliação dos objetivos e balanço geral das apresentações.