44 sarp/ ribeirão preto/ sp





Escudos - série Defesa


Peças de aço inox usadas (formas, bandejas e travessas) em que são gravadas ilustrações de um guia de defesa pessoal usado pelas forças armadas. Os desenhos podem ser interpretados sob outros aspectos e sentidos. Deu-se início principalmente pelo fato da existência de desenhos de mãos e braços, que se relacionam antagonicamente à expressão ‘Ninguém solta a mão de ninguém’ bastante divulgada após o resultado da última eleição presidencial. Existem ainda desenhos de militares presos às cadeiras, que poderiam ser interpretados também como um troco às torturas à época da ditadura.

A gravação dos desenhos ocorre nas costas das peças, como reforço à ideia de escudos, de serem 'inquebráveis' (em comparação às louças). A escolha pelos itens em inox, deve-se também à existência de bandejas de época em metal com emblemas do exército; e o uso de parafusos aparentes para fixação, como referência a rebites.

(21 peças)



Posse

Ensaio em formato de vídeo em que são apropriadas e retrabalhadas fotos de um álbum de 1972, cuja autoria é desconhecida. Não há referência quanto às pessoas retratadas, apenas as palavras ‘Comando’ e ‘Posse’ além da data ‘10-11-72’ dividindo o espaço da capa com o brasão da República. Apesar do material ser de época em que o Brasil esteve em plena ditadura militar (há mais de 40 anos), ele gera ressignificados perante o contexto político resultante das últimas eleições de 2018. Nessa edição, a espiral da encadernação é mostrada em muitos momentos como uma metáfora de uma emenda ou costura frágil e quebradiça, de forma a não omitir como se deu o processo de edição dessas imagens. Dependendo da escala da espiral, é possível deduzir o quanto da área de imagem não é revelada. As pompas comemorativas de uma posse militar são reforçadas pelas cenas de convidados com copos nas mãos, abraços (ou 'tapas nas costas') e cumprimentos em rodas de conversa, sem esquecer das  distinções de classe social. Cinegrafista e fotógrafo aparecem acidentalmente no enquadramento, uma mão desfocada em primeiro plano ganha estatus de personagem principal, e uma pessoa passa repentinamente à frente da câmera escondendo a outra que seria fotografada. Assim, vários ‘erros’ são reiterados nesse trabalho.





2020
- 'O risco do traço', Galeria Léo Bahia, Vitória - ES

2019

- 44º SARP - Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo - SP