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sobre 'Passiflora s.'


As doze imagens fotográficas da série “Vestes de Fragilidade”, do artista Élcio Miazaki, nos convidam a uma experiência plástica imersiva de apurada fruição estética.
Mais uma vez, Miazaki surpreende o público ao propor uma transmutação. De fragilidades - a figura humana e as gavinhas do maracujazeiro, a fatura e design das vestes e pregas, alças e telas, a gentileza do enquadramento, a interioridade da luz -, se faz civilidade, dignidade.
A série fotográfica dialoga com os fundamentos da arte na contemporaneidade enquanto expressão libertária de sensibilidade e valoração de diferenças, onde a beleza pode discursar não como palavra de ordem ou ismo da moda, mas como produto do ser social.
Numa sociedade ambígua e contraditória, corpo e figura humana podem assim revelar um ser natural, isento de esforço - ente selvagem, puro, mas, por outro lado, também cintas e fivelas podem cingir e constranger pele e carne - ainda que minimamente, remetendo então à violência de uma camisa de força, objeto do “Vigiar e Punir” de Foucault.
Como salienta o próprio artista, o labor de meticulosidade da execução e acabamento das vestes remetem ao Hakamá - traje tradicional do samurai, ofício de civilidade hierárquica, de obediência. Tal ordenamento social coexiste e se contrapõe a uma perspectiva mágica e simbólica das obras, onde as configurações de fragilidade de Miazaki podem definir e humanizar o ser que as habitam tais como as penugens aos pássaros.
Nessa experiência estética, o público é terceiro elemento, aquele capaz de catalisar a dualidade Autor-Obra, de acordo com o Barthes da “Morte do Autor”. Em uma combinação fenomenológica de eficiência e fluidez, a expressão do autor através de sua meticulosa fatura (o ser-em si) busca, em nós, seu interlocutor participante (o ser-para si).
Miazaki coloca – a cada um de nós, frente a imensos abismos que nos demandam palavra, posição, reflexão. Tal desafio é função primordial da obra de arte, valor admirável e positivo por si só.

Carlos Zibel
curador

Espaço reservado para possíveis retornos
(ou como rasurar o ar)



2018
MACC (Museu de Arte Contemporânea de Campinas) - SP

2017
Programa de exposições - MUnA (Museu Universitário de Artes) Uberlândia - MG
 
2016

Programa de exposições MAB (Museu de Arte de Blumenau) - SC
Programa de exposições MARCO (Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande) - MS





Passiflora s.


2019

Fotografia sem galeria - Mapa das artes - São Paulo - SP

Programa de exposições MAC Jataí - GO
Arte no Mercearia S. Roque - São Paulo - SP

2015
18ª Bienal de Cerveira (Portugal)