c.q.d. (como se queria demonstrar)



Videoarte em que duplas (uma de ex-soldados e outra que não serviu ao exército) reproduzem os procedimentos de transporte de feridos e salvamento, todos encontrados em guias de primeiros socorros das forças armadas do Brasil. Foi uma forma de testar se ocorreriam as mesmas reações que acontecem com as imagens explicativas e estáticas. Havia também o objetivo principal em perceber como se daria a memória de um corpo, que passou por treinamentos militares, em contraposição aos dois homens comuns interpretando os mesmos procedimentos. Uma dupla não teve contato com a outra, de forma que, entre elas, não houvesse influência nos movimentos e nos meios de lidar com o corpo alheio. Não foram realizados ensaios, pois era prioridade se certificar que os movimentos seriam os mais espontâneos e reais possíveis, para as gravações. Curiosamente, alguns atos imaginados e previstos que aconteceria com determinada dupla (no caso a dos homens que tiveram uma passagem pelo exército), na verdade foi a dupla de homens civis, que trouxe certas características presumidas como de militares. Por exemplo, movimentos mais bruscos que aparentam um uso de força maior, parecem estar mais associadas a soldados. Mas a dupla 'militar' apresentou precisão técnica e maiores cuidados. Assim, o trabalho levanta uma outra questão: a do risco de acreditarmos naquilo que encontramos correspondência com o nosso imaginário. O ambiente, em que as duplas foram gravadas, trata-se de uma sala cirúrgica desativada e com uma ausência considerável de azulejos. A escolha da locação, um hospital desativado, foi pela íntima relação com os métodos de socorros. C.Q.D. é uma sigla usada nos finais de equações matemáticas, comprovando uma 'solução' ou 'resultado', 'como se queria demonstrar'.


vídeo
C.Q.D. (Como se queria demonstrar), 2018
7'33" , P/B, s/ áudio

idealização e direção:
Élcio Miazaki
atuação:
Alexandre Colasuonno Orlandi
Antonio J. Mattos
Jay Laurentiano
Rogério Baldini
câmera e finalização:
JP Accacio