Lustre (2015)


“A palavra melancolia por si já é bastante forte e iniciei minha pesquisa justamente em busca de conceitos e definições, que me ajudassem a entendê-la. Para mim, nunca ficou muito preciso se a melancolia é uma doença ou se é uma característica da pessoa, que já nasceria assim. Sem dúvida, esse foi um processo inicial rico, esse é um tema que gera várias reflexões, te convida a mergulhar e a se desligar um pouco do mundo. O trabalho em exposição foi uma escolha da curadoria, que relacionou a temática da exposição com a linha que estou trabalhando atualmente, em que pesquiso objetos em suspensão, procurando a leveza em objetos e desafiando a gravidade. O próprio título remete ao brilho, à ação de lustrar algo e acho que o melancólico tem isso, um brilho que vai se lapidando. Tinha medo que se tornasse um objeto muito feminino, que associasse a melancolia ao comportamento feminino e a ideia não é essa, porque todo mundo pode ser melancólico, mas trouxe, sem dúvida, a questão da delicadeza (com alusão ao tema), além do uso de materiais com esta característica. Outra referência foi uma declaração que o Renato Russo fez, dizendo que somos um povo alegre, mas não feliz, que temos esta característica herdada dos portugueses de procurar o passado em busca de alguma coisa que já teve seu auge e o lustre como objeto também remete a esta questão de como incorporamos isso como povo”.

(declaração do artista a Carol Salles Carvalho)


2015

ECEU - Espaço Cultural e de Extensão Universitária - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Exposição coletiva MELANCOLIA
Curadoria de Anette Hoffmann e Nilton Campos



ficha técnica

instalação
dimensões variáveis
materiais utilizados: suporte em ferro, papel, cabos elétricos e de aço, lâmpadas incandescentes, dimmer, arame,  acessórios de armarinhos.