passiflora s./ vestes de fragilidade (2014)





Indumentária, criada pelo próprio artista, em que são utilizadas gavinhas de maracujazeiros. Essas estruturas, encontradas em determinadas espécies vegetais, são um meio à procura de apoio, evidenciando a insustentabilidade do caule por si só. Vale salientar que a cultura escolhida é originária de países tropicais, incluindo o Brasil, lembrando a característica de território colonizado e como esse fator parece intrínseco às associações que um pé de maracujá pode gerar (com o exotismo, por exemplo). Nessa série, foi trabalhada também a dualidade que significam as vestes. Sentir-se protegido ou proteger estruturas tão frágeis. Afinal, quando nos vestimos, o corpo também pode ser entendido como um meio de sustentação dessas peças. Com algumas frentes de trabalho, existe a possibilidade do projeto ser considerado uma ‘botanicamoorfização’, ou correlações com discussões que culminem nas diferenças entre simbiose e parasitismo, além do paralelo entre as formas de vidas vegetal e humana. Fatores de fascínio, estranhamento e repulsa tem sido determinantes nas formas de representação e o projeto permite a observação a um ser humano que não consegue esconder suas fragilidades. Antes do ensaio fotográfico, também realizado pelo artista, foram feitas simulações por meio de desenhos para direcionar o ensaio.

Algumas observações:
1_ A veste destinada ao tronco apresenta as gavinhas alinhadas à coluna vertebral. A fixação é concluída pelas cintas costuradas e posicionadas de forma a remeter a camisas de força, que impossibilitam liberdade na movimentação;
2_ A espécie da saia possui, paradoxalmente, como referência o tradicional ‘hakamá’ (usado por guerreiros japoneses), onde as pregas possuem significados como características de civilidade, humanidade e dignidade. As aberturas laterais revelam as gavinhas localizadas à altura dos quadris.


Como desdobramento dessa série, está em desenvolvimento o projeto Convul_scuta sapiens.

2018
MACC (Museu de Arte Contemporânea de Campinas) - SP

2017
III Bienal do Sertão - Vitória da Conquista/ BA
Casa das Onze Janelas - Belém do Pará - PA
ECEU - Espaço Cultural e de Extensão Universitária da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - SP
Casa Nubam - coletiva "Carne Levada" - São Paulo - SP

2016
Programa de exposições Galerias de Santos - SP
Programa de exposições MAC Jataí - GO
Arte no Mercearia S. Roque - São Paulo - SP

2015
18ª Bienal de Cerveira (Portugal)


Flávio de Carvalho


gavinhas de maracujazeiro



Centro de Cultura Patrícia Galvão - Santos / SP



(acima: detalhe do croqui)
instalação e ensaio fotográfico
dimensões variadas
materiais: telas, cintas, ferragens, gavinhas secas
1 quadro 164.5 x 136cm
3 quadros 33 x 27.5cm
2 quadros 56.5 x 73cm
2 quadros 33 x 43cm
2 quadros 79 x 102.5cm

objeto #1
título: gargantilha passiflora
dimensões: 40 (diâmetro) x 27cm (altura) materiais: gavinhas secas de maracujazeiro, tela metálica

objeto #2
título: armadura passiflora
dimensões: 70 (altura), 45 (frente), 25cm (profundidade)
materiais: gavinhas secas de maracujazeiro, tela metálica, meio-aros, cintas
2014