ouvidor 63 (2014/ 2015)



Resultado do desinteresse de proprietários, falência de empresas (incluindo hotéis), e negligência com a regularização de velhos edifícios, a paisagem do centro antigo de São Paulo é sombreada por inúmeros prédios abandonados e fechados. Justificam ainda esse quadro, imbróglios judiciais, disputas entre famílias e dívidas de impostos. Nesse roteiro, há prédios centenários, envidraçados e até inacabados, muitos deles com tapumes ou portas lacradas por muros, que há anos se deterioram pela falta de manutenção ou uso.
Diferentemente de muitos casos de edifícios invadidos por movimentos de reivindicação por moradia, surge o caso do número 63 da rua do Ouvidor, atualmente ocupado por diversos artistas (de diferentes atuações e formações) com o intuito de tornar o local num espaço de livre produção e residência artística. Foi sede da Secretaria de Cultura, ocupado em 1997 para moradia, e em 2005 desocupado novamente por ação judicial. Depois de dois anos foi concedido à CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), a quem pertence até hoje. O prédio tem no total 13 andares, cada um com características próprias, personalizados de acordo com a sua utilização. Desde a sua ocupação, datada de 1º de maio de 2014, tem sido organizados
eventos abertos e workshops, entre oficinas de teatro, escrita criativa, apresentações de bandas formadas pelos participantes da ocupação e mostras de filmes, além de debates sobre arte e cultura, depois dos próprios ocupantes terem retirado toneladas de entulho e adequado parcialmente os espaços.
Projetos de apropriação como o do Centro Cultural Ouvidor, como os artistas o denominam, ajudariam a reverter o abandono da região do centro antigo. Mas o mais relevante é que o local coloca em discussão o urbanismo participativo e a manifestação da arte livre, independente da cultivada para (e pela) cultura de elite, influente no mercado das artes. Portanto é um protesto tanto contra a lógica de propriedade no ambiente urbano, quanto contra a comercialização da arte, muitas vezes inacessível à grande maioria, impossibilitando o verdadeiro sentido do ofício desses novos e instigantes ocupantes/ reivindicadores.
2015
- 8ª Mostra LUTA! Museu da Imagem e do Som de Campinas - Palácio dos Azulejos. Campinas/SP.
- FUNDAÇÃO CULTURAL ALFREDO FERREIRA LAGE - FUNALFA - JFoto 15 Coletiva coletivo - Juiz de Fora (MG)
fotografia
cerca de 20 imagens
2014/ 2015