DESTAQUES‎ > ‎

Filosofia

Neste espaço pretendemos levar a luz aos que buscam respostas sem com isso mistificar ou induzir o pensamento alheio. 
Refletir sobre a verdade universal é antes de mais nada buscar o conhecimento interior. 



Por que aprender Filosofia?


Qual é o significado de um crucifixo para um católico?
O que representa uma imagem do Exu Caveira para o umbandista?
E qual é a razão da bíblia para o evangélico?
Seria o sentido metafísico, de que esses signos transcendem aos objetos, 
que existe algo por trás daquilo, e que embora ninguém veja,
pela fé deles,existem poderes.
Em 1928, o pintor belga René Magritte pintou num quadro uma imagem de um cachimbo de forma mais realista e escreveu em baixo:
Ceci n’est pas une pipe( Isto não é um cachimbo).
Magritte desmontava ali o que uma imagem representa, para hoje podermos dizer: isto não é um cachimbo ou, isto não é um cristo no crucifixo, isto não é um Exu caveira. 
Porque Magritte não pintou um cachimbo, pintou a “idéia” cachimbo, se fosse um cachimbo poderíamos fumá-lo, assim aquilo é uma imagem, não um cachimbo.
E consequentemente se no crucifixo houvesse de fato um Cristo ele falaria,
e o Exu Caveira sairia andando.
E se a bíblia fosse além do que ela é não precisaria do homem para ensiná-la.
Se as imagens e os livros são objetos industrializados ou artesanais, para os que crêem, por medo ou necessidade de algo como:
 riqueza, amor, saúde, proteção, ou seja, narcisismo; se apegam cegamente.
Assim são todas as religiões e crenças, seja ela imposta na infância ou incutida na idade adulta.
Martinho Lutero quando fez a reforma protestante, no século XVI, que contou com o apoio de poderosos por estarem cansados de pagar indulgências ao Papa, e após muito derramamento de sangue tirou à metafísica de trás do objeto - das imagens - e trouxe apenas para o imaginário, criando a maior oposição da igreja católica.
Lutero com essa iniciativa se tornou o fundador e pai de todas as seitas evangélicas, que para alcançar a glória são um pouco mais radicais, porque para aceitar a Deus é preciso morrer para a vida, negar os prazeres do corpo e da mente e apenas louvar e amar um pai, o Deus bom, mas que castiga quem comete uma falha em alguma de suas leis.
Com isso cada grupo carrega suas verdades, seus dogmas de religiões, convenções, normas, que são ensinadas pelos pais, professores, a televisão, a moda, a política.
Um emaranhado de conceitos que formam o individuo, onde a maioria é alienada a mestres, gurus, porque seguem algo sem ao menos saberem o porquê.
Da mesma maneira que o homem da pré-história criou a metafísica religiosa, criava junto com ela a arte pois, eles pintavam na caverna a imagem de um animal para que o espírito do animal voltasse e eles pudessem caçá-lo novamente.
E assim, do mesmo modo que é possível experimentar à metafísica na religião, o mesmo se da com a arte, quando por meio da experiência religiosa adentra-se a lugares da mente aonde se tem um encontro com o êxtase, que eles chamam de encontro divino.
O mesmo se da com a arte via poesia, música, teatro, pintura.
Nesse caso ocorre uma experiência metafísica, ou fusão do nosso ser com o absoluto.
A arte ou a religião dominando o nosso “Eu” dentro de nós mesmos.
A única diferença é que com a arte estamos louvando a nós mesmos e sendo livres, e com a religião estamos nos negando, aprisionando-nos e seguindo regras.
Mas que há algum tempo a arte entrou no mundo das regras, seguindo os mesmos passos da metafísica cristã.
Se a arte é uma criação para nós encontrarmos um remédio da doença da vida, o sistema que governa as instituições a transformou em culto ao artefato, porque para eles tem de ser um objeto qualquer: um guarda-chuva, um vaso sanitário, uma bacia, pois bem; assim como nas imagens dos santos é preciso crer que por trás daquilo tem algo que transcende a razão humana, também na arte contemporânea temos que crer que por trás de um vaso sanitário há algo transcendente, algo genial, não a metafísica intrínseca que temos quando há um encontro com a arte, mas uma metafísica extrínseca aonde tal arte é puro misticismo exotérico.
Exotérico com X. 
Dessa forma, como sair das prisões, das correntes que inconscientemente nos prendem e nos impedem de termos um espírito critico?
Através de outra forma criada pelo homem para entrar em fusão com o absoluto:

A filosofia.

A filosofia que tem como ponto de partida a dúvida, o voltar a ser criança para novamente perguntar o porquê de tudo.
Filosofia que temos acesso pelos grandes filósofos, que ao contrário dos lideres religiosos não nos ensinam verdades, 
mas como procurá-las.
Filosofia é desmontar o próprio pensamento para criar um novo, livre de poluição, destruir o mundo que construíram para nós, para sermos os criadores de um mundo novo.
Onde só a um mestre a ser seguido, a nossa própria alma.
Ser filosofo é fugir do rebanho e se tornar uma ave, 
para ver tudo de cima.
Para assim poder dizer o que Goethe disse quando pisou em Roma: “Enfim vou nascer”.
Agora sou um livre pensador.

Para que Serve a Filosofia?!


É uma pergunta interessante.
Não vemos nem ouvimos ninguém perguntar, por exemplo, para que matemática ou física?
Para que geografia ou geologia?
Para que história ou sociologia?
Para que biologia ou psicologia?
Para que astronomia ou química?
Para que pintura, literatura, música ou dança?
Mas todo mundo acha muito natural perguntar: 
Para quê Filosofia?
Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irônica, conhecida dos estudantes de Filosofia: 
“A Filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual”.
Ou seja, a Filosofia não serve para nada. 
Por isso, se costuma chamar de “filósofo” alguém sempre distraído, com a cabeça no mundo da lua, pensando e dizendo coisas que ninguém entende e que são perfeitamente inúteis.

Essa pergunta, “Para que Filosofia?”, tem a sua razão de ser.
Em nossa cultura e em nossa sociedade, costumamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se tiver alguma finalidade prática, muito visível e de utilidade imediata.
Por isso, ninguém pergunta para que as ciências, pois todo mundo imagina ver a utilidade das ciências nos produtos da técnica, isto é, na aplicação científica à realidade.

Todo mundo também imagina ver a utilidade das artes, tanto por causa da compra e venda das obras de arte, quanto porque nossa cultura vê os artistas como gênios que merecem ser valorizados para o elogio da humanidade. Ninguém, todavia, consegue ver para que serviria a Filosofia, donde dizer-se: não serve para coisa alguma.

Parece, porém, que o senso comum não enxerga algo que os cientistas sabem muito bem. As ciências pretendem ser conhecimentos verdadeiros, obtidos graças a procedimentos rigorosos de pensamento; pretendem agir sobre a realidade, através de instrumentos e objetos técnicos; pretendem fazer progressos nos conhecimentos, corrigindo-os e aumentando-os.

Ora, todas essas pretensões das ciências pressupõem que elas acreditam na existência da verdade, de procedimentos corretos para bem usar o pensamento, na tecnologia como aplicação prática de teorias, na racionalidade dos conhecimentos, porque podem ser corrigidos e aperfeiçoados.
Verdade, pensamento, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre teoria e prática, correção e acúmulo de saberes: tudo isso não é ciência, são questões filosóficas.
O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a Filosofia quem as formula e busca respostas para elas.
Assim, o trabalho das ciências pressupõe, como condição, o trabalho da Filosofia, mesmo que o cientista não seja filósofo. No entanto, como apenas os cientistas e filósofos sabem disso, o senso comum continua afirmando que a Filosofia não serve para nada.Para dar alguma utilidade à Filosofia, muitos consideram que, de fato, a Filosofia não serviria para nada, se “servir” fosse entendido como a possibilidade de fazer usos técnicos dos produtos filosóficos ou dar-lhes utilidade econômica, obtendo lucros com eles; consideram também que a Filosofia nada teria a ver com a ciência e a técnica.
Para quem pensa dessa forma, o principal para a Filosofia não seriam os conhecimentos (que ficam por conta da ciência), nem as aplicações de teorias (que ficam por conta da tecnologia), mas o ensinamento moral ou ético.

A Filosofia seria a arte do bem viver.
Estudando as paixões e os vícios humanos, a liberdade e a vontade, analisando a capacidade de nossa razão para impor limites aos nossos desejos e paixões, ensinando-nos a viver de modo honesto e justo na companhia dos outros seres humanos, a Filosofia teria como finalidade ensinarnos a virtude, que é o princípio do bem-viver.

Essa definição da Filosofia, porém, não nos ajuda muito. De fato, mesmo para ser uma arte moral ou ética, ou uma arte do bem-viver, a Filosofia continua fazendo suas perguntas desconcertantes e embaraçosas:
O que é o homem?
O que é a vontade?
O que é a paixão?
O que é a razão?
O que é o vício?
O que é a virtude?
O que é a liberdade?
Como nos tornamos livres, racionais e virtuosos?
Por que a liberdade e a virtude são valores para os seres humanos?
O que é um valor?
Por que avaliamos os sentimentos e as ações humanas?

Assim, mesmo se disséssemos que o objeto da Filosofia não é o conhecimento da realidade, nem o conhecimento da nossa capacidade para conhecer, mesmo se disséssemos que o objeto da Filosofia é apenas a vida moral ou ética, ainda assim, o estilo filosófico e a atitude filosófica permaneceriam os mesmos, pois as perguntas filosóficas - o que, por que e como - permanecem.
A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico
A parábola do taxista e a intolerância. Reflexão a partir de uma conversa no trânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homem cordial”?

O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.

- Você é evangélico? – ela perguntou.
- Sou! – ele respondeu, animado.
- De que igreja?
- Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...


O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)

Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:

- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.

A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros. Leia mais...
 
Os ateus são mais inteligentes?


A pergunta é provocadora. De acordo com um artigo que será publicado neste mês no jornal britânico de psicologia "Intelligence", a resposta é sim. Foram comparados 137 países: em 60% deles, os crentes são os de QI menor. O autor do estudo, o psicólogo Richard Lynn, da Universidade do Ulster (Irlanda do Norte), diz estar absolutamente convencido da relação entre ateísmo e inteligência. Mas sua opinião está longe de ser consenso.

Há décadas, pesquisas buscam associar inteligência e baixa religiosidade. O artigo de Richard Lynn é um mix dessas teorias, aliadas a outras, ainda mais polêmicas, que relacionam QI e raça.

Em alguns países, por exemplo, alguns dados não bateram. Cuba e Vietnã têm muitos ateus (40% e 81%, respectivamente), mas QIs medianos. Já nos Estados Unidos, que tem média 98 de QI, 90% das pessoas dizem acreditar em Deus. Lynn diz que Cuba e Vietnã são exceções porque passaram pelo comunismo, quando houve forte propaganda anti-religiosa. Já nos EUA "há muitos imigrantes de países católicos, que mantêm os índices altos".

Na verdade, trata-se de um dilema no estilo daquela antiga marca de biscoitos: o sujeito é ateu porque é mais inteligente ou é mais inteligente porque é ateu? A hipótese de Lynn é que, quanto mais inteligentes as pessoas, maior a facilidade de questionar dogmas religiosos. "Se a pessoa é mais educada, tem acesso a teorias alternativas de criação do mundo. Por isso, o QI alto leva à falta de religiosidade", diz Richard Lynn.

Porém, ele mesmo admite que generalizações indevidas podem ser feitas a partir desses dados. "Há muito de cultural nesses testes. E isso se reflete no mau desempenho de tribos rurais. Há também a tão alardeada inteligência emocional e uma série de características sociais que geram vantagem nos tempos modernos", afirma Lynn. Ou seja: para o próprio pesquisador, QI mede muito mais modernidade do que inteligência.

É justamente nesse ponto que o estudo é questionado por outros especialistas: o quociente de inteligência é uma medida relativa. Sim, com mais instrução, é provável que a pessoa tenha acesso a outras teorias sobre a origem das coisas, a outros livros que não os sagrados. "Mas daí dizer que teorias religiosas emburrecem é um passo muito grande", diz o coordenador da pós-graduação em ciência da religião da Universidade Metodista, Jung Mo Sung. "Além de preconceito."

Com informações da revista "Época"


Ateus têm vida sexual melhor

Um estudo da Universidade de Kansas analisou a vida sexual de cerca de 15 mil pessoas e constatou: quanto mais religiosa uma pessoa é, menos satisfeita ela se diz com sua vida sexual. A culpa é da culpa: 80% dos entrevistados com convicções religiosas se sentiam mal após o sexo. Entre os ateus, apenas 26%.

 

Uma bíblia sem Deus

Filósofo imita estrutura do livro sagrado em guia para ateus

por Felipe Pontes
Editora Globo
Crédito: Tommy Ga-Ken Wan


O professor de filosofia da Universidade de Londres A. C. Grayling lançou o livro The Good Book: A Secular Bible (O Livro Bom: Uma Bíblia Secular, ainda sem edição no Brasil), uma espécie de guia para ateus. Ao lado do cientista Richard Dawkins e do escritor Christopher Hitchens, Grayling, 62 anos, é um dos expoentes do chamado Novo Ateísmo, que milita pelo abandono de religiões e superstições. Assim como na bíblia cristã, a obra de Grayling começa no Gênesis e segue para Lamentações e Provérbios, tudo organizado em capítulos e versos. “A estrutura bíblica é convidativa e acessível. O leitor pode escolher trechos ou seções para ler separadamente”, diz o autor. 

Porém, nas 608 páginas da obra de Grayling não há sequer uma menção à palavra “Deus” ou qualquer outra referência divina, mas sim citações e conceitos de grandes pensadores como Aristóteles, Isaac Newton e, não podia faltar, Charles Darwin. O autor acredita que há pensamentos profundos e sérios sobre o bem nas grandes tradições não-religiosas que seriam mais humanos e vivíveis — sem estar sob o comando de uma autoridade. 

Antevendo críticas, Grayling já declara: “Quase tudo escrito em meu livro vem de grandes mentes do passado. Quem atacá-lo automaticamente atacará Cícero, Confúcio e por aí vai”. Para terror dos católicos, Grayling chegou a elaborar os 10 mandamentos dos ateus, estes sim redigidos a partir de suas próprias ideias. “Só espero não me tornar um ‘deus’. Certamente eu não seria bom nisso.” 

OS 10 MANDAMENTOS ATEUS

1. Ame bem 

2. Busque o bem em todas as coisas 

3. Não faça mal aos outros 

4. Pense por si mesmo 

5. Assuma responsabilidade 

6. Respeite a natureza 

7. Faça o seu melhor 

8. Seja informado 

9. Seja bondoso 

10. Seja corajoso - ao menos tente sinceramente

Um endereço para Adão e Eva
Arqueólogo inglês diz que encontrou, no Irã, o Jardim do Éden. Só que, para ele, o lugar foi o berço da civilização - e não da espécie humana, como diz a Bíblia.

Por Fernando Valeika de Barros, de Tabriz, Irã

Não é preciso ser religioso para se deixar fascinar pela história contada no livro Legend — 7 The Genesis of the Civilization (Lenda — A Gênese da Civilização), lançado em outubro de 1998 pelo arqueólogo David Rohl. Presidente da Sociedade de Egiptologia de Sussex, na Inglaterra, e ex-pesquisador do Instituto de Arqueologia Britânico, Rohl se baseia em nomes antigos e atuais de rios, cidades e montanhas para provar que encontrou o Éden — o pedaço de terra aprazível onde, segundo o mito bíblico, teriam surgido Adão e Eva, os primeiros humanos da Terra. Só que o Éden do arqueólogo não é nada parecido com o do livro sagrado. Fica na região de Tabriz, uma cidade feiosa do Irã (veja na páginas 64). Além disso, para ele, o que surgiu ali não foi o primeiro homem, mas a primeira tribo capaz de dominar a agricultura e domesticar animais. "O Éden foi o berço da civilização", disse Rohl à SUPER.

A tese é impactante. Em cinco meses o livro vendeu, só na Inglaterra, 35 000 exemplares e a rede de televisão BBC já começou a gravar uma série de documentários sobre o assunto. Entre os acadêmicos, muitos acham que Rohl forçou a mão na análise das evidências para criar uma história vendável. Mas há também quem admita a possibilidade de ele estar certo (veja na página 64).

Trata-se mesmo de uma questão polêmica. E antiqüíssima. Desde o historiador romano Flavius Josefus (37-100), muitos estudiosos já acreditaram ter achado o Éden. É que o livro do Gênesis — o primeiro entre os 24 do Velho Testamento, que junto com o Novo Testamento compõe a Bíblia — dá indicações bem precisas sobre o seu endereço. Aceito por cristãos, judeus e em parte até por muçulmanos, o mito do jardim do paraíso inspira milhões. Procurá-lo é uma tentação.

Onde estão as macieiras e as serpentes?

Dizer que o Paraíso bíblico fica em Tabriz parece até provocação. Na cidade, 900 quilômetros a noroeste de Teerã, perto da Turquia, praticamente não há árvores. O ar é poluído por refinarias de petróleo e escapamentos de carros cujos donos gastam mísero 1,5 dólar para encher o tanque.

Bem, nem sempre foi assim. Quem sai de lá em direção ao sul encontra uma paisagem menos árida, com rios, provavelmente mais parecida com a que se via há 8 000 anos, quando, de acordo com Rohl, Adão era o manda-chuva. Há videiras e ameixeiras, além de plantações de batata e de cebola. Macieiras, mesmo, como as presentes na lenda bíblica, são raras. As montanhas e o Lago Urmia, de água salgada, também enfeitam o lugar. Mas ele está longe de ser o jardim exuberante do mito da origem humana.

A chave da hipótese de Rohl — que se diz agnóstico, ou seja, não acredita em Deus, embora não descarte sua existência — é o Rio Adji Chai, que passa dentro de Tabriz. A partir de comparações entre o Gênesis e os nomes atuais de rios, montanhas e cidades (veja à direita), o arqueólogo concluiu que o Adji Chai era o rio que banhava o Éden. Daí comparou histórias bíblicas e lendas para construir sua teoria sobre a tribo de Adão, a fundadora da civilização (veja a página 66), que depois a teria levado para a Mesopotâmia. Aí, entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque, surgiriam as mais antigas cidades conhecidas, há 6 000 anos.

A hipótese de que a região montanhosa do noroeste do Irã abrigou povos evoluídos é aceita por muitos arqueólogos. O curdo Mehrdad Izady, da Universidade Harvard, disse à SUPER que resíduos em potes encontrados nos Montes Zagros, no Curdistão, pertinho dali, indicam que já se fermentava vinho e cerveja na região há cerca de 5 000 anos. Para o inglês James Melaart, do London College, "não há como negar que os habitantes das terras altas domesticaram animais, plantaram cereais e usaram ferramentas antes dos povos das terras baixas". O difícil é provar que esses povos migraram para a Mesopotâmia, o que Rohl tenta fazer por meio da pesquisa filológica — o estudo da língua e sua evolução — e comparando cerâmicas. "O problema é que cerâmica não é passaporte", retruca Melaart. Para Rohl, pode ser, sim. Como naquele tempo não havia comércio, ele defende que encontrar a mesma decoração de vaso em regiões diferentes só pode significar migração.

Ligações polêmicas

Outro nó da tese é a localização do Éden. "Ele não passa de uma lembrança mitológica", descarta o arqueólogo Pierre Delumeau, do College de France, em Paris. "Ao longo de tanto tempo, vestígios de nomes desaparecem", garante o filólogo iraniano Abdelmagid Arfall, discípulo de Samuel Kramer, da Universidade de Chicago, um dos papas na História da Mesopotâmia. Já o arqueólogo inglês Kenneth Kitchen, da Universidade de Liverpool, que também estuda a região, admite a possibilidade. "Pode haver mesmo uma conexão entre nomes de hoje e do passado", afirma. Kitchen faz parte do grupo que não descarta a hipótese de a

Bíblia ser um aglomerado de mitos que podem ter, sim, algo a ver com a realidade de povos antigos.

Casamento político e frutífero

Mas e a Eva? Onde entra na história? Rohl tem a resposta na ponta da língua. Para conquistar poder, Adão teria feito uma aliança com a tribo Havah, que morava a leste do Éden, casando-se com a filha de seu líder. A moça levou junto o nome de seu povo e passou à posteridade com a simplificação Eva. "Foi o mais antigo casamento político conhecido", disse o arqueólogo à SUPER. "O evento acabou sendo interpretado pelos descendentes como o início da civilização, pois uniu tribos importantes numa nova, que transferiu adiante seus mitos e rituais, criando uma cultura." Leia mais...
 
EXERCITANDO O PENSAMENTO
Fragmentos soltos do Facebook
JOVEM, QUER SER REBELDE? Vou lhe dizer uma rebeldia que vai mudar tudo. No Brasil tudo empurra o jovem a odiar ler os clássicos. E são os clássicos que nos fazem ter ideias diferentes. Então, leia e à medida que tiver ideais, exponha-as em textos de blogs, faça vídeos, tire fotos, desenhe. Crie a partir dos clássicos. Tudo que querem fazer com você é deixá-lo burro. Reaja. Não fique burro. Leia e mude de idea. Depois volte. Oscile. Essa é uma rebeldia realmente temível.
Paulo Ghiraldelli
***********
FILOSOFIA é uma aventura, não uma viagem. Viagem é coisa de turista. Filosofia é coisa de curioso. Há um ponto de intersecção, mas somente um ponto. 
Paulo Ghiraldelli
***********
A ARMA SECRETA
NO MEU TEMPO DE JOVEM alguns imaginaram que para mudar o mundo um bom instrumento era um fuzil ou uma pistola. Os que não perderam a vida descobriram depois que uma máquina de escrever tinha mais poder de fogo. O tempo passou e os jovens de hoje ainda não sacaram que para mudar o mundo basta boas ideias e uma internet, a partir de um blog você tem um bunker. Boa parte dos que usam esse instrumento são ainda os que sobreviveram daquela época. Paulo Ghiraldelli

************
FILOSOFIA NA ESCOLA MÉDIA. 
É natural que se cobre de um jovem que ele leia Machado de Assis no Colégio. Mas então, qual a razão de não poder cobrar dele que ele leia o que Machado leu, por exemplo, Schopenhauer? Ou qual a razão de não iniciá-lo na filosofia, dando A República de Platão? A resistência à filosofia no ensino médio, por conta de professores da universidade e, agora, do governo que quer acabar com todas as disciplinas, é uma coisa completamente errada. Tomam o jovem como idiota e, então, ele realmente fica idiota. Paulo Ghiraldelli

***********
A direita defende a liberdade e a esquerda a igualdade. Ao menos essa é a retórica de ambos os lados. O terceiro lema da Revolução, a fraternidade, ninguém defende. Talvez por isso mesmo os modernos não conseguiram ultrapassar a mensagem ainda que carcomida e mentirosa dos religiosos. Paulo Ghiraldelli

************
A MULHER QUE NÃO APRENDE QUE o rabo dela, o cu mesmo, é importante socialmente, não pode aprender nenhuma outra teoria. Paulo Ghiraldelli


UM ARTIGO PORNOGRÁFICO. Gente, esse artigo foi considerado por algumas leitoras como "pornográfico". Leiam e vejam como as pessoas perderam a noção do significado das palavras. Será que elas acham "coito anal" uma expressão pornográfica? Eu deveria falar como "foda no cu"? Ou querem "penetração pelo lado posterior"? 
Paulo Ghiraldelli 
As Impressões do Medo
 
Discutir passagens da Bíblia, as falas dos apóstolos como se essas fossem de Fato, ditas por Eles mesmo (os supostos Apóstolos de um suposto Jesus), fica difícil, pois, todo aquele que busca as raízes e as origens da verdade sabem que esses escritos, em sua quase total maioria, nunca foi escrito por nenhum dos históricos Apóstolos de Jesus, tudo só começou a ser escrito 70, 100, 300 anos após a morte de todos eles, assim sendo: “por ouvi dizer”, “acho que foi assim”, “alguém me disse”, tudo invencionice de um grupo interessado em conduzir o pensamento humano para um caminho em que o medo, a vergonha dos próprios pensamentos e ações, levem a crer que existe um Ser Supremo a castigar pessoas pelos seus pecados. 

Fala-se que todos os maus exemplos que a sociedade moderna assimila vem das novelas (onde a Globo é o alvo principal – seguida agora pela Record), pois mostra cenas de sexo, violência, traição, etc. 


Mas, experimentem abrir aleatoriamente alguma das páginas do Livro Sagrado, leia de mente aberta e sinta como tudo que ali esta contido tem os mesmos ingredientes que tanto se critica, a começar em Gênesis quando em uma família de apenas um casal, de onde tem origem toda a espécie humana, (em que a lógica nos remete a perceber que Eva Também teve relações com os sens filhos), são gerados dois filhos homens, que por pura inveja, um mata o outro e assim é castigado por Deus (que poderia simplesmente ter evitado o fato) - por que um Deus criaria uma espécie para ser Defeituosa e causar tanto problema para todo o Eco Sistema? 

Sim! pois tudo estava sendo creado naquele momento, naquele instante, não precisava de "problemas de construção”, é Deus o Supremo que estava dando "Origem" a Tudo. 

São pequenas questões que fogem ao "Limitado Poder de Compreensão" de poucos Seres Humanos como Eu... “É você olhar no espelho Se sentir um grandessíssimo idiota, Saber que é humano ridículo, limitado Que só usa dez por cento De sua cabeça animal”...(Raul Seixas) E agora esta provado que até o próprio Raul, que estudou academicamente sobre a limitação da mente humana, estava errado ao afirmar sobre o uso de menos 10% da capacidade cerebral, nosso cérebro não é dividido em duas partes distintas em que uma trabalha o intelecto, a inspiração e o outro o lado prático, lógico, etc. esta provado sem sombras de dúvidas que tudo esta interligado e em sintonia. 


Existe um sincronismo nas frequências e na química que alimenta a mente e determina as ações de fato, inclusive que nos dá antecipação premonitória de fatos que ainda estão para acontecer. Assim muita coisa fica desmistificada. Mas nós não podemos mais nos deixar guiar por pensamentos oriundos de uma civilização praticamente pré-histórica em que o mito determinava as ações dos povos e o medo escravizava as mentes. Somos mentes novas, movidas por um infinito universo de possibilidades em que a realidade se transforma a cada fração de segundo. Despertai Novos Pensadores, Libertai-vos dessas amarras que lhes condiciona e limita o vosso discurso e sua percepção. Deixai os ensinamentos antigos para apenas o conhecimento histórico e passai a pensar por si mesmos. “Liberdade ainda que tardia”. Por:Fred William
"Que é idolatria? Que é um ídolo?
 
Por que insiste tanto a Bíblia em arrancar pela raiz qualquer vestígio de idolatria? Qual é a diferença entre Deus e os ídolos? A diferença não consiste primariamente em que existe um só Deus e muitos ídolos. Na verdade, se o homem venerasse somente um ídolo e não muitos, seguiria sendo um ídolo e não Deus. De resto, com quanta frequência a veneração por Deus não tem sido senão a veneração por um ídolo?" Erich Fromm
REFLEXÃO (...)

Quem pergunta quer saber.

ARTIGO: FRED WILLIAM

É muito comum os pais tentarem retardar informações, que consideram “desnecessárias” para crianças que segundo elas: “perguntam demais”. 

 
Cresci ouvindo: “Sai daqui, isso não é conversa para menino;” “Isso não é assunto de criança;” “Você não tem idade para saber desses assuntos.”

Pensando estarem fazendo um grande bem, os pais, educadores, e/ou responsáveis RETARDAM de forma até criminosa (pois existe a intenção de omitir a informação de quem tem o direito de saber), o conhecimento, que deveriam passar para os que desejam saber. Seja lá o que for, o indivíduo tem o direito de saber e quando a pessoa pergunta é por que esta receptiva, preparada para receber essa informação. O Organismo, o Cérebro esta aberto para compor as ligações químicas, que em outro momento vão ser essenciais para a sua defesa e sobrevivência. 

 
Não é atoa que parecemos animais pré-históricos diante de crianças quando o assunto é tecnologia e informática, a compreensão deles é infinitamente maior que a nossa que esta comprometida e condicionada com milhões de outras coisas. A mente “nova” tem o poder de absorver com enorme nitidez e transparência informações que vão ser processadas de forma a construir instrumentos próprios para enfrentar situações de alto risco, essenciais para a sua sobrevivência, tudo isso depende exclusivamente de nós – Formadores de opihnião. 

 Informações relacionadas a sexo, a violência, ao dia a dia, a assuntos considerados polêmicos devem ser evitados quando possível, mas não devem ser maquiados, omitidos, ou distorcidos quando perguntado.

A única coisa a fazer, independente da idade, é falar a verdade. Pode até doer, mas é melhor uma verdade dolorida, áspera, do que uma mentira fantasiosa que vai criar falsos elementos que no futuro vão ser descobertos, ou conhecidos de uma forma fatal.

Todas as fantasias, ficções, estórias devem ser contadas, sim, mas devem ser contadas afirmando ser fantasias, ficções e não coisas reais. Assim o indivíduo poderá ter um parâmetro de comparação entre o plano real e o lúdico imaginário, como também saber reconhecer as informações verdadeiras e quem realmente merece sua confiança. 

 
Perder a confiança de uma criança, ou um adolescente, é algo fatal para os responsáveis e depois não vale o conhecido chavão: “Aonde foi que eu errei!?”

 
Para muitos essa pergunta não tem resposta por que educa-se os filhos da mesma forma que se foi criado,  perpetuando assim o ciclo vicioso que se torna “Normal” e correto.

Só anos depois é que as informações solicitadas e omitidas que formaram conexões deturpadas no cérebro vão ser conhecidas de uma forma possivelmente de forma agressiva ou em forma de “rebeldia.” 

 
A rebeldia nas crianças e adolescentes nada mais é que uma revolta química do organismo e da mente que exterioriza em ações desorganizadas, buscando dizer em alto e bom som que não acreditamos mais “nisso,” ou “naquilo.”

“Estas coisas não fazem a minha cabeça, isso é coisa de ‘careta.” Eu posso beber e fumar, a vida é minha e ninguém tem nada a ver com isso!” 

 “Por que você pode transar e eu não!?” São algumas das perguntas de adolescentes, tidos como “rebeldes”que muitas vezes são respondidas com agressões físicas pelos pais e que criam climas insustentáveis dentro da família. O grande erro está localizado no passado, nas suas omissões em um período que a criança estava aberta para receber informações e que lhes foram omitidas e dificilmente vão ter concerto agora. O indivíduo, frustrado, vai ter que percorrer seus próprios caminhos para poder conhecer na prática o que poderia ter conhecido por informação quando foi solicitado. Assim caminha a humanidade, colocando “panos quentes” em situações que não estão acostumados a lidar e para as quais não foram instruídos em como tratar no caso de assuntos “delicados”.

Tudo ao nosso redor contribui para uma desinformação generalizada, pois existe uma verdadeira indústria por traz de tudo isso, uma fábrica de geração do caos faz com que se acredite que agimos da forma correta quando omitimos informações de crianças, para preservar a “inocência.”

A inocência de uma criança não se abala ou se acaba com a absorção de conhecimento, muito pelo contrário, ela se preserva e se protege, pois de posse com essas verdadeiras informações sobre sexo, drogras e rock in roll, elas vão se proteger, e assim poder participar suas experiências com seus pais que sempre foram verdadeiros e amigos. O Organismo funciona com processos químicos que só se apresentam no momento em que o corpo e a mente estão preparados, uns mais precoces, outros de forma mais tardia, mas todos (quando bem informados), no seu próprio tempo.

A desinformação, a omissão das respostas pode, sim, causar traumas, pois quando alguma coisa acontece fora do tempo de cada indivíduo, por força de elementos estranhos ao seu conhecimento, acontece uma ruptura, um estupro, uma violência orgânica que dificilmente pode sarar com palavras, ou analises. Sempre há de ficar o receio e a ferida profunda por perceber que um dia a pessoa quis saber e não lhe foi fornecida a informação no tempo certo.

Essa culpa é sua, as conseqüências de sua omissão são totalmente dos responsáveis, depois não adianta tentar se confirmar dizendo paras si mesmo: “eu fiz tudo ao meu alcance para preservar meu filho das agressões do mundo.”

Não temos que preservar, temos que infirmar quando somos solicitados, da forma mais clara e transparente possível, para que se possa absorver a informação sem máscaras, mesmo que você não concorde com isso, ou com o que tem que responder, deve fazê-lo, em prol da sobrevivência sadia de seus filhos. Eu fui uma criança precoce, criado por quatro mulheres, uma mãe, uma avó e duas tias, até os meus 17 anos quando
precocemente e por revolta me casei. 
 Fui abusado, usado por pessoas de índole má, tudo por que não obtive informações quando solicitava. Sofri acidentes graves, cai do quarto andar de um edifício, pensando ser o Homem Aranha, saltei do topo de guindastes do porto de Cabedelo e quase me afoguei, fui diversas vezes preso por brigas de turmas e por agressões a policiais em carnavais, Fumei até três carteiras de cigarro por dia por mais de 12 anos (17 aos 29 anos). 

Nunca fui dependente de nada (só do Cigarro). Passei 7 meses e 10 dias em uma penitenciária por estar no local errado na hora errada e depois o processo foi arquivado por julgarem inprocedentes as acusações contra minha pessoa, mas imaginem o que vivi dentro de uma cadeia. Os riscos que passei. Hoje sou uma pessoa experiente, sei exatamente o que poderia ter e não tive, com relação as informações necessárias para me conduzir no mundo real. Sou um artista multimídia, feliz, tranqüilo, mestre dos meus próprios passos e pensamentos e acredito verdadeiramente que o único caminho para a verdadeira liberdade do ser é o conhecimento claro e transparente de todas as coisas – Sou Anarquista, Ateu e Livre Pensador, adoro Filosofia e todas as manifestações culturais, pois sei que é único caminho que liberta e fortalece. Qualquer outra coisa é uma ilusão, uma bengala que serve sempre aos propósitos condicionantes da sociedade e alimentam a indústria do Medo.  Reflita.

" Enquanto as pessoas, buscarem por um Deus, que caiba exatamente na medida dos seus sonhos e desejos... 
Elas sempre encontrarão, um feio e limitado reflexo, de todas as suas ideias a respeito desse Deus e das suas egoístas necessidades.
Mas, quando finalmente, procuramos por uma verdade, livre de razões para acontecer, o encontro com Deus, será inevitável."
(Raquel Free)


Tentar mudar a vida das pessoas, de acordo com as nossas vontades, e as nossas opiniões, sempre será mais fácil, do que refazer, e sempre tentar novamente, colocar a nossa própria vida em ordem.
Apontar o defeito do próximo, e as suas eventuais soluções, sempre será mais cômodo e fácil, do que, admitir todos os nossos defeitos, e procurar solução para os mesmos.
Jamais, poderemos cobrar uma perfeição, que, nós mesmo não a temos. 
Ou que, não fazemos o menor esforço em querer alcançar.
O nosso processo de "reconstrução", sempre será o mais difícil e o mais dolorido de ser feito.
Não é fácil, ter que admitir todos os nossos defeitos, nossas falhas, nossas terríveis manias.
Nunca tenham dúvida que, apontar tudo isso no nosso próximo, é bem melhor, e bem mais cômodo.
Para que, o nosso próprio trabalho, em nos reconstruir começe, temo que, perceber essa necessidade de mudança.
Se achamos que, o nosso próximo precisa dessa mudança, é lógico, e, totalmente natural, trazer para nós mesmos, essa também necessidade de reajustes, por mais difícil que possa parecer.
Não tenha medo jamais, de começar esse ímpar e magnífico trabalho individual. 
A, da nossa própria reconstituição individual, em todos os seus aspectos.
A "obra final", sempre será a mais maravilhosa e única!
Ele será sa nossa melhor e mais verdadeira das imagens...
A nossa, tal e qual, como ela é.
Com algumas "falhas", que não poderão passar despercebidas para quem nos ver.
Elas ficarão evidentes, diante de todas as nossas tentativas de sempre querer reconstruir a nossa imagem...
Diante da "originalidade" da nossa imagem, ninguém se importará, em identificar essas eventuais falhas.
A beleza da nossa imagem final, sempre se sobressairá.
Ela sempre será a nossa maravilhosa e única imagem.
EU...VOCÊ...NÓS...
Mas sempre o melhor, e o mais verdadeiro no seu original.
(Raquel Free)





Quem escreveu a Bíblia?

Em algum lugar do Oriente Médio, por volta do século 10 a.C., uma pessoa decidiu escrever um livro. Pegou uma pena, nanquim e folhas de papiro (uma planta importada do Egito) e começou a contar umahistória mágica, diferente de tudo o que já havia sido escrito. Era tão forte, mas tão forte, que virou uma obsessão. Durante os 1 000 anos seguintes, outras pessoas continuariam reescrevendo, rasurando e compilando aquele texto, que viria a se tornar o maior best seller de todos os tempos: a Bíblia. Ela apresentou uma teoria para o surgimento do homem, trouxe os fundamentos do judaísmo e do cristianismo, influenciou o surgimento do islã, mudou a história da arte – sem a Bíblia, não existiriam os afrescos de Michelangelo nem os quadros de Leonardo da Vinci – e nos legou noções básicas da vida moderna, como os direitos humanos e o livre-arbítrio. Mas quem escreveu, afinal, o livro mais importante que a humanidade já viu? Quem eram e o que pensavam essas pessoas? Como criaram o enredo, e quem ditou a voz e o estilo de Deus? O que está na Bíblia deve ser levado ao pé da letra, o que até hoje provoca conflitos armados? A resposta tradicional você já conhece: segundo a tradição judaico-cristã, o autor da Bíblia é o próprio Todo-Poderoso. E ponto final. Mas a verdade é um pouco mais complexa que isso.

A própria Igreja admite que a revelação divina só veio até nós por meio de mãos humanas. A palavra do Senhor é sagrada, mas foi escrita por reles mortais. Como não sobraram vestígios nem evidências concretas da maioria deles, a chave para encontrá-los está na própria Bíblia. Mas ela não é um simpleslivro: imagine as Escrituras como uma biblioteca inteira, que guarda textos montados pelo tempo, pelahistória e pela fé. Aliás, o termo “Bíblia”, que usamos no singular, vem do plural grego ta biblia ta hagia – “os livros sagrados”. A tradição religiosa sempre sustentou que cada livro bíblico foi escrito por um autor claramente identificável. Os 5 primeiros livros do Antigo Testamento (que no judaísmo se chamam Torá e no catolicismo Pentateuco) teriam sido escritos pelo profeta Moisés por volta de 1200 a.C. Os Salmos seriam obra do rei Davi, o autor de Juízes seria o profeta Samuel, e assim por diante. Hoje, a maioria dos estudiosos acredita que os livros sagrados foram um trabalho coletivo. E há uma boa explicação para isso.

As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada Terra de Canaã, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel e pedaços da Jordânia, do Egito e da Síria. Durante séculos acreditou-se que Canaã fora dominada pelos hebreus. Mas descobertas recentes da arqueologia revelam que, na maior parte do tempo, Canaã não foi um Estado, mas uma terra sem fronteiras habitada por diversos povos – os hebreus eram apenas uma entre muitas tribos que andavam por ali. Por isso, sua cultura e seus escritos foram fortemente influenciadas por vizinhos como os cananeus, que viviam ali desde o ano 5000 a.C. E eles não foram os únicos a influenciar as histórias do livro sagrado.

As raízes da árvore bíblica também remontam aos sumérios, antigos habitantes do atual Iraque, que no 3o milênio a.C. escreveram a Epopéia de Gilgamesh. Essa história, protagonizada pelo semideus Gilgamesh, menciona uma enchente que devasta o mundo (e da qual algumas pessoas se salvam construindo um barco). Notou semelhanças com a Bíblia e seus textos sobre o dilúvio, a arca de Noé, o fato de Cristo ser humano e divino ao mesmo tempo? Não é mera coincidência. “A Bíblia era uma obra aberta, com influências de muitas culturas”, afirma o especialista em história antiga Anderson Zalewsky Vargas, da UFRGS.

Foi entre os séculos 10 e 9 a.C. que os escritores hebreus começaram a colocar essa sopa multicultural no papel. Isso aconteceu após o reinado de Davi, que teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino por volta do ano 1000 a.C. A primeira versão das Escrituras foi redigida nessa época e corresponde à maior parte do que hoje são o Gênesis e o Êxodo. Nesses livros, o tema principal é a relação passional (e às vezes conflituosa) entre Deus e os homens. Só que, logo no começo da Beeblia, já existiu uma divergência sobre o papel do homem e do Senhor na história toda. Isso porque o personagem principal, Deus, é tratado por dois nomes diferentes.

Em alguns trechos ele é chamado pelo nome próprio, Yahweh – traduzido em português como Javé ou Jeová. É um tratamento informal, como se o autor fosse íntimo de Deus. Em outros pontos, o Todo-Poderoso é chamado de Elohim, um título respeitoso e distante (que pode ser traduzido simplesmente como “Deus”). Como se explica isso? Para os fundamentalistas, não tem conversa: Moisés escreveu tudo sozinho e usou os dois nomes simplesmente porque quis. Só que um trecho desse texto narra a morte do próprio Moisés. Isso indica que ele não é o único autor. Os historiadores e a maioria dos religiosos aceitam outra teoria: esses textos tiveram pelo menos outros dois editores.

Acredita-se que os trechos que falam de Javé sejam os mais antigos, escritos numa época em que a religiosidade era menos formal. Eles contêm uma passagem reveladora: antes da criação do mundo, “Yahweh não derramara chuva sobre a terra, e nem havia homem para lavrar o solo”. Essa frase, “não havia homem para lavrar o solo”, indica que, na primeira versão da Bíblia, o homem não era apenas mais uma criação de Deus – ele desempenha um papel ativo e fundamental na história toda. “Nesse relato, o homem é co-criador do mundo”, diz o teólogo Humberto Gonçalves, do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, no Rio Grande do Sul. Saiba muito mais...
Diabo! Um funcionário de Deus?
por Texto Álvaro Oppermann


De acordo com o pesquisador Henry Ansgar Kelly, o Satã da Bíblia é um ser moralmente correto, com a tarefa de perseguir e acusar pecadores. Mas sua biografia foi deturpada pelos patriarcas da Igreja Católica.

Se a gente fosse fazer um retrato falado de Satanás, ele sairia mais ou menos como Hellboy, das histórias em quadrinhos de Mike Mignolla. Peço desculpas aos fãs, pois o personagem da HQ, no fundo, é um sujeito de bom coração - enquanto o Diabo (alguém duvida?) quer mais é atazanar o ser humano. Mas a comparação vem a calhar, pois é de maniqueísmo que estamos falando. A cultura ocidental se acostumou a pintar o Universo como uma guerra cósmica entre o bem e o mal. E o mal tem a cara do Diabo, um monstrengo escarlate de chifres e rabo, quase sempre com um tridente em punho.

Agora pasme: essa imagem simplesmente não existe na Bíblia. Pelo menos é isso que demonstra o pesquisador americano Henry Ansgar Kelly, professor emérito da Universidade da Califórnia, no livro Satã: Uma Biografia. Kelly garante que a história original do demônio - aquela que está registrada nos textos bíblicos - foi deturpada ao longo dos tempos. Na verdade, o Diabo não seria assim tão ruim quanto se pinta. E a "difamação" começou lá atrás, nos primeiros séculos do cristianismo, por obra de patriarcas da Igreja como são Jerônimo.



Para o pesquisador americano, a Bíblia revela que o demônio era uma espécie de "empregado de Deus" - uma entidade moralmente correta, encarregada de perseguir e acusar os pecadores. No século 2, porém, os pais da Igreja, ao interpretar o episódio bíblico de Adão e Eva no jardim do Éden, associaram-no à imagem da traiçoeira serpente. A partir daí, diz Kelly, ele foi sendo transformado em inimigo de Deus, até virar a representação máxima do mal.

Mitologia satânica

Uma visão menos maniqueísta do Diabo, como a proposta por Henry Kelly e outros autores modernos, parece estar em sintonia com o conceito de "mal" observado em algumas religiões. No hinduísmo e no budismo, por exemplo, existem criaturas malignas, como os demônios hindus Asuras, ou as criaturas infernais budistas chamadas Naraka. Mas elas não são personagens centrais como o Diabo é na mitologia cristã. "O maniqueísmo clássico é o do zoroastrismo", afirma Kelly. Nessa antiga religião originária da Babilônia, existe um deus 100% benevolente, chamado Ahura Mazda, e um espírito totalmente mau, conhecido como Angra Mainyu ou Ahriman.

Uma das versões de Satã mais fascinantes talvez seja a encontrada no islamismo. Também chamado Iblis, o demônio dos muçulmanos é um anjo caído, assim como o dos cristãos e o dos judeus. As similaridades se dão até no nome: shaitan, em árabe. Mas ele tem uma tarefa que os outros não têm. Segundo a crença islâmica, todos os recém-nascidos são tocados pelo diabo na hora do nascimento - para que, mais adiante na vida, possam fazer a escolha que bem entenderem entre o certo e o errado.

O shaitan do islamismo, contudo, não é nem de longe tão maléfico e assustador quanto seu equivalente cristão. Na tradição judaico-cristã, nada pode ser mais perverso, traiçoeiro e perigoso que o demônio - um servo extraviado do Todo-Poderoso, que acabou sendo expulso do Reino dos Céus porque trazia em sua essência o nefasto e contagiante princípio da corrupção universal. Saiba muito mais...

Bíblia passada a limpo
Descobertas recentes da arqueologia indicam que a maior parte das escrituras sagradas não passa de lenda
Vinícius Romanini
A disputa entre ciência e religião pela posse da verdade é antiga. No Ocidente, começou no século XVI, quando Galileu defendeu a tese de que a Terra não era o centro do Universo. Essa primeira batalha foi vencida pela Igreja, que obrigou Galileu a negar suas idéias para não ser queimado vivo. Mas o futuro dessa disputa seria diferente: pouco a pouco, a religião perdeu a autoridade para explicar o mundo. Quando, no século XIX, Darwin lançou sua teoria sobre a evolução das espécies, contra a idéia da criação divina, o fosso entre ciência e religião já era intransponível. Nas últimas décadas, a Bíblia passou a ser alvo de ciências como a filologia (o estudo da língua e dos documentos escritos), a arqueologia e a história. E o que os cientistas estão provando é que o livro mais importante da história é, em sua maior parte, uma coleção de mitos, lendas e propaganda religiosa.

Primeiro livro impresso por Guttemberg, no século XV, e o mais vendido da história, a Bíblia reúne escritos fundamentais para as três grandes religiões monoteístas – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Na verdade, a Bíblia é uma biblioteca de 73 livros escritos em momentos históricos diferentes. O Velho Testamento, aceito como sagrado por judeus, cristãos e muçulmanos, é composto de 46 livros que pretendem resumir a história do povo hebreu desde o suposto chamamento de Abraão por Deus, que teria ocorrido por volta de 1850 a.C., até a conquista da Palestina pelos exércitos de Alexandre Magno e as revoltas do povo judeu contra o domínio grego, por volta de 300 a.C. Os 27 livros do Novo Testamento abarcam um período bem menor: cerca de 70 anos que vão do nascimento de Jesus à destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C.

O coração do Velho Testamento são os primeiros cinco livros, que compõem a Torá do Judaísmo (a palavra significa "lei", em hebraico). Em grego, o conjunto desses livros recebeu o nome de Pentateuco ("cinco livros"). São considerados os textos "históricos" da Bíblia, porque pretendem contar o que ocorreu desde o início dos tempos, inclusive a criação do homem – que, segundo alguns teólogos, teria ocorrido em 5000 a.C. O Pentateuco inclui o Gênesis (o "livro das origens", que narra a criação do mundo e do homem até o dilúvio universal), o Êxodo (que narra a saída dos judeus do Egito sob a liderança de Moisés) e os Números (que contam a longa travessia dos judeus pelo deserto até a chegada a Canaã, a terra prometida).

Das três ciências que estudam a Bíblia, a arqueologia tem se mostrado a mais promissora. "Ela é a única que fornece dados novos", diz o arqueólogo israelense Israel Finkelstein, diretor do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv e autor do livro The Bible Unearthed (A Bíblia desenterrada, inédito no Brasil), publicado no ano passado. A obra causou um choque em estudiosos de arqueologia bíblica, porque reduz os relatos do Antigo Testamento a uma coleção de lendas inventadas a partir do século VII a.C.

O Gênesis, por exemplo, é visto como uma epopéia literária. O mesmo vale para as conquistas de David e as descrições do império de Salomão.

A ciência também analisa os textos do Novo Testamento, embora o campo de batalha aqui esteja muito mais na filologia. A arqueologia, nesse caso, serve mais para compor um cenário para os fatos do que para resolver contendas entre as várias teorias. O núcleo central do Novo Testamento são os quatro evangelhos. A palavra evangelho significa "boa nova" e a intenção desses textos é clara: propagandear o Cristianismo. Três deles (Mateus, Marcos e Lucas) são chamados sinóticos, o que pode ser traduzido como "com o mesmo ponto de vista". Eles contam a mesma história, o que seria uma prova de que os fatos realmente aconteceram. Não é tão simples. O problema central do Novo Testamento é que seus textos não foram escritos pelos evangelistas em pessoa, como muita gente supõe, mas por seus seguidores, entre os anos 60 e 70, décadas depois da morte de Jesus, quando as versões estavam contaminadas pela fé e por disputas religiosas.

Nessa época, os cristãos estavam sendo perseguidos e mortos pelos romanos, e alguns dos primeiros apóstolos, depois de se separarem para levar a "boa nova" ao resto do mundo, estavam velhos e doentes. Havia, portanto, o perigo de que a mensagem cristã caísse no esquecimento se não fosse colocada no papel. Marcos foi o primeiro a fazer isso, e seus textos serviram de base para os relatos de Mateus e Lucas, que aproveitaram para tirar do texto anterior algumas situações que lhes pareceram heresias. "Em Marcos, Jesus é uma figura estranha que precisa fazer rituais de magia para conseguir um milagre", afirma o historiador e arqueólogo André Chevitarese.

Para tentar enxergar o personagem histórico de Jesus através das camadas de traduções e das inúmeras deturpações aplicadas ao Novo Testamento, os pesquisadores voltaram-se para os textos que a Igreja repudiou nos primeiros séculos do Cristianismo. Ignorados, alguns desapareceram. Mas os fragmentos que nos chegaram tiveram menos intervenções da Igreja ao longo desses 2 000 anos. Parte desses evangelhos, chamados "apócrifos" (não se sabe ao certo quem os escreveu), fazem parte de uma biblioteca cristã do século IV descoberta em 1945 em cavernas do Egito. Os evangelhos estavam escritos em língua copta (povo do Egito).

O fato de esses textos terem sido comprovadamente escritos nos primeiros séculos da era cristã não quer dizer que eles sejam mais autênticos ou contenham mais verdades que os relatos que chegaram até nós como oficiais. Pelo contrário, até. Os coptas, que fundariam a Igreja cristã etíope, foram considerados hereges, porque não aceitavam a dupla natureza de Jesus (humana e divina). Para eles, Jesus era apenas divino e os textos apócrifos coptas defendem essa versão. Mesmo assim, eles trazem pistas para elucidar os fatos históricos.

A tentativa de entender o Jesus histórico buscando relacioná-lo a uma ou outra corrente religiosa judaica também foi infrutífera, como ficou demonstrado no final da tradução dos pergaminhos do Mar Morto, anunciada recentemente. Esses papéis, achados por acaso em cavernas próximas do Mar Morto, em 1947, criaram a expectativa de que pudesse haver uma ligação entre Jesus e os essênios, uma corrente religiosa asceta, cujos adeptos viviam isolados em comunidades purificando-se à espera do messias. O fim das traduções indica que não há qualquer ligação direta entre Jesus e os essênios, a não ser a revolta comum contra a dominação romana.

O resultado é que, depois de dois milênios, parece impossível separar o verdadeiro do falso no Novo Testamento. O pesquisador Paul Johnson, autor de A História do Cristianismo, afirma que, se extrairmos, de tudo o que já se escreveu sobre Jesus, só o que tem coerência histórica e é consenso, restará um acontecimento quase desprovido de significado. "Esse ‘Jesus residual’ contava histórias, emitiu uma série de ditos sábios, foi executado em circunstâncias pouco claras e passou a ser, depois, celebrado em cerimônia por seus seguidores."

O que sabemos com certeza é que Jesus foi um judeu sectário, um agitador político que ameaçava levantar os dois milhões de judeus da Palestina contra o exército de ocupação romano. Tudo o mais que se diz dele precisa da fé para ser tomado como verdade. Assim como aconteceu com Moisés, David e Salomão do Velho Testamento, a figura de Jesus sumiu na névoa religiosa.



O Dilúvio

No Gênesis, a história do dilúvio é uma das poucas que ainda alimenta o interesse dos cientistas, depois que os físicos substituíram a criação do mundo pelo Big Bang e Darwin substituiu Adão pelos macacos. O que intrigou os pesquisadores foi o fato de uma história parecida existir no texto épico babilônico de Gilgamesh – o que sugere que uma enchente de enormes proporções poderia ter acontecido no Oriente Médio e na Ásia Menor. Parte do mistério foi solucionado quando os filólogos conseguiram demonstrar que a narrativa do Gênesis é uma apropriação do mito mesopotâmico. "Não há dúvida de que os hebreus se inspiraram no mito de Gilgamesh para contar a história do dilúvio", afirma Rafael Rodrigues da Silva, professor do Departamento de Teologia da PUC de São Paulo, especialista na exegese do Antigo Testamento.

O povo hebreu entrou em contato com o mito de Gilgamesh no século VI a.C. Em 598 a.C., o rei babilônico Nabucodonosor, depois de conquistar a Assíria, invadiu e destruiu Jerusalém e seu templo sagrado. No ano seguinte, os judeus foram deportados para a Babilônia como escravos. O chamado exílio babilônico durou 40 anos. Em 538 a.C., Ciro, o fundador do Império Persa, depois de submeter a Babilônia permitiu o retorno dos judeus à Palestina. Os rabinos ou "escribas" começaram a reconstruir o Templo e a reescrever o Gênesis para, de alguma forma, dar um sentido teológico à terrível experiência do exílio. Assim, a ameaça do dilúvio seria uma referência à planície inundável entre os rios Tigre e Eufrates, região natal de Nabucodonosor; os 40 dias de chuva seriam os 40 anos do exílio; e a aliança final de Deus com Noé, marcada pelo arco-íris, uma promessa divina de que os judeus jamais seriam exilados.

Solucionado o mistério do dilúvio na Bíblia, continua o da sua origem no texto de Gilgamesh. No final da década de 90, dois geólogos americanos da Universidade Columbia, Walter Pittman e Willian Ryan, criaram uma hipótese: por volta do ano 5600 a.C., ao final da última era glacial, o Mar Mediterrâneo havia atingido seu nível mais alto e ameaçava invadir o interior da Ásia na região hoje ocupada pela Turquia, mais precisamente a Anatólia. Num evento catastrófico, o Mediterrâneo irrompeu através do Estreito de Bósforo (ver infográfico na página 44), dando origem ao Mar Negro como o conhecemos hoje. Um imenso vale de terras férteis e ocupado por um lago foi inundado em dois ou três dias.

Os povos que ocupavam os vales inundados tiveram que fugir às pressas e o mais provável é que a maioria tenha morrido. Os sobreviventes, porém, tinham uma história inesquecível, que ecoaria por milênios. Alguns deles, chamados ubaids, atravessaram as montanhas da Turquia e chegaram à Mesopotâmia, tornando-se os mais antigos ancestrais de sumérios, assírios e babilônios. Estaria aí a origem da narrativa de Gilgamesh. Essa teoria foi recebida por arqueólogos e antropólogos como fantástica demais para ser verdadeira.

No entanto, no verão de 2000, o caçador de tesouros submersos Robert Ballard, o mesmo que encontrou os restos do Titanic, levou suas poderosas sondas para analisar o fundo do Mar Negro nas proximidades do que deveriam ser vales de rios antes do cataclisma aquático. Ballard encontrou restos de construções primitivas e a análise da lama colhida em camadas profundas do oceano provaram que, há 7 600 anos, ali existia um lago de água doce. A hipótese do grande dilúvio do Mar Negro estava provada. Conheça mais...
"A raiz dos abusos na Igreja está no seminário"
O psicoterapeuta e ex-padre americano Richard Sipe foi conselheiro e professor de mais de 1 000 padres com histórico de envolvimento sexual. Ele diz que os escândalos são apenas o sintoma de uma estrutura eclesiástica que não lida com a sexualidade humana.
por Eduardo Szklarz

O que há na mente dos padres abusadores? 

Primeiro, têm uma adaptação social imatura e evitam pessoas. São também voltados à própria satisfação e não identificam o sofrimento de sua vítima. Por outro lado, conseguem passar uma excelente imagem: se vestem de forma impecável, adoram cerimônias e tudo que os coloca no centro das atenções. Mas não têm controle interno. Nem compaixão. 

Como lidar com eles?

É preciso mudar o sistema que produz esses padres. É um sistema psicopata que está tão corrompido agora como no século 12. Ele omite os crimes e muda os abusadores de paróquia em paróquia. Assim, mantém pessoas doentes e outras em perigo. 

Qual a solução para padres abusadores seriais?

Ela deve atacar 3 áreas: criminal, moral - porque a Igreja ensina que todo sexo é pecado - e psiquiátrico. Se houver crime, a pessoa deve ser tratada como um criminoso. Abusadores também não devem mais trabalhar como padres, pois aproveitam sua condição de conselheiros para seduzir menores. E, se precisarem, devem receber medicamentos e terapias. Mas o mais importante é que sejam monitorados. São como os alcoólatras: se quiserem se controlar, há meios para isso. Mas estamos falando mais de controle que de cura. 

Como isso pode ser feito?

Acabo de visitar um grupo de 10 ex-padres, quase todos pedófilos, que moram juntos numa casa sob a supervisão de outros padres. Não foram presos porque seu crime prescreveu, mas vivem confinados. Ali eles tentam reconstruir sua vida espiritual, mas não podem sair sem acompanhamento. O oposto é outro mosteiro que visitei, onde pedófilos podiam pegar o carro e sair sozinhos. A falta de supervisão é desastrosa, pois quem tem tal vício não consegue se controlar.

E qual a proporção de pedófilos no clero? 

Coletei dados durante 25 anos (1960-1985) e a conclusão foi que, em qualquer época, não mais de 50% dos padres e bispos praticam o celibato. Uns têm relações sexuais com mulheres, outros com homens. E cerca de 6% se envolvem com crianças. Mas isso aumenta quando você estuda dioceses individuais. Na Arquidiocese de Los Angeles, 11,5% dos padres que trabalhavam em suas paróquias em 1983 foram mais tarde acusados de abuso sexual de menores.

Qual a raiz do problema?

Os padres não são bem preparados nos seminários. Muitos podem ser disciplinados nos anos de formação, mas começam a se envolver com adultos ou menores ao mudar para suas paróquias. A questão é que muitas pessoas têm a vocação para ser padre, mas não para o celibato. É aí que o conflito aparece.

A solução é o fim do celibato?

O problema vai além disso: ele reflete todo o ensino da Igreja sobre sexualidade, e o abuso de crianças pelo clero é apenas um sintoma desse sistema.


Comments