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Filosofia

Neste espaço pretendemos levar a luz aos que buscam respostas sem com isso mistificar ou induzir o pensamento alheio. 
Refletir sobre a verdade universal é antes de mais nada buscar o conhecimento interior. 



Por que aprender Filosofia?


Qual é o significado de um crucifixo para um católico?
O que representa uma imagem do Exu Caveira para o umbandista?
E qual é a razão da bíblia para o evangélico?
Seria o sentido metafísico, de que esses signos transcendem aos objetos, 
que existe algo por trás daquilo, e que embora ninguém veja,
pela fé deles,existem poderes.
Em 1928, o pintor belga René Magritte pintou num quadro uma imagem de um cachimbo de forma mais realista e escreveu em baixo:
Ceci n’est pas une pipe( Isto não é um cachimbo).
Magritte desmontava ali o que uma imagem representa, para hoje podermos dizer: isto não é um cachimbo ou, isto não é um cristo no crucifixo, isto não é um Exu caveira. 
Porque Magritte não pintou um cachimbo, pintou a “idéia” cachimbo, se fosse um cachimbo poderíamos fumá-lo, assim aquilo é uma imagem, não um cachimbo.
E consequentemente se no crucifixo houvesse de fato um Cristo ele falaria,
e o Exu Caveira sairia andando.
E se a bíblia fosse além do que ela é não precisaria do homem para ensiná-la.
Se as imagens e os livros são objetos industrializados ou artesanais, para os que crêem, por medo ou necessidade de algo como:
 riqueza, amor, saúde, proteção, ou seja, narcisismo; se apegam cegamente.
Assim são todas as religiões e crenças, seja ela imposta na infância ou incutida na idade adulta.
Martinho Lutero quando fez a reforma protestante, no século XVI, que contou com o apoio de poderosos por estarem cansados de pagar indulgências ao Papa, e após muito derramamento de sangue tirou à metafísica de trás do objeto - das imagens - e trouxe apenas para o imaginário, criando a maior oposição da igreja católica.
Lutero com essa iniciativa se tornou o fundador e pai de todas as seitas evangélicas, que para alcançar a glória são um pouco mais radicais, porque para aceitar a Deus é preciso morrer para a vida, negar os prazeres do corpo e da mente e apenas louvar e amar um pai, o Deus bom, mas que castiga quem comete uma falha em alguma de suas leis.
Com isso cada grupo carrega suas verdades, seus dogmas de religiões, convenções, normas, que são ensinadas pelos pais, professores, a televisão, a moda, a política.
Um emaranhado de conceitos que formam o individuo, onde a maioria é alienada a mestres, gurus, porque seguem algo sem ao menos saberem o porquê.
Da mesma maneira que o homem da pré-história criou a metafísica religiosa, criava junto com ela a arte pois, eles pintavam na caverna a imagem de um animal para que o espírito do animal voltasse e eles pudessem caçá-lo novamente.
E assim, do mesmo modo que é possível experimentar à metafísica na religião, o mesmo se da com a arte, quando por meio da experiência religiosa adentra-se a lugares da mente aonde se tem um encontro com o êxtase, que eles chamam de encontro divino.
O mesmo se da com a arte via poesia, música, teatro, pintura.
Nesse caso ocorre uma experiência metafísica, ou fusão do nosso ser com o absoluto.
A arte ou a religião dominando o nosso “Eu” dentro de nós mesmos.
A única diferença é que com a arte estamos louvando a nós mesmos e sendo livres, e com a religião estamos nos negando, aprisionando-nos e seguindo regras.
Mas que há algum tempo a arte entrou no mundo das regras, seguindo os mesmos passos da metafísica cristã.
Se a arte é uma criação para nós encontrarmos um remédio da doença da vida, o sistema que governa as instituições a transformou em culto ao artefato, porque para eles tem de ser um objeto qualquer: um guarda-chuva, um vaso sanitário, uma bacia, pois bem; assim como nas imagens dos santos é preciso crer que por trás daquilo tem algo que transcende a razão humana, também na arte contemporânea temos que crer que por trás de um vaso sanitário há algo transcendente, algo genial, não a metafísica intrínseca que temos quando há um encontro com a arte, mas uma metafísica extrínseca aonde tal arte é puro misticismo exotérico.
Exotérico com X. 
Dessa forma, como sair das prisões, das correntes que inconscientemente nos prendem e nos impedem de termos um espírito critico?
Através de outra forma criada pelo homem para entrar em fusão com o absoluto:

A filosofia.

A filosofia que tem como ponto de partida a dúvida, o voltar a ser criança para novamente perguntar o porquê de tudo.
Filosofia que temos acesso pelos grandes filósofos, que ao contrário dos lideres religiosos não nos ensinam verdades, 
mas como procurá-las.
Filosofia é desmontar o próprio pensamento para criar um novo, livre de poluição, destruir o mundo que construíram para nós, para sermos os criadores de um mundo novo.
Onde só a um mestre a ser seguido, a nossa própria alma.
Ser filosofo é fugir do rebanho e se tornar uma ave, 
para ver tudo de cima.
Para assim poder dizer o que Goethe disse quando pisou em Roma: “Enfim vou nascer”.
Agora sou um livre pensador.

Para que Serve a Filosofia?!


É uma pergunta interessante.
Não vemos nem ouvimos ninguém perguntar, por exemplo, para que matemática ou física?
Para que geografia ou geologia?
Para que história ou sociologia?
Para que biologia ou psicologia?
Para que astronomia ou química?
Para que pintura, literatura, música ou dança?
Mas todo mundo acha muito natural perguntar: 
Para quê Filosofia?
Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irônica, conhecida dos estudantes de Filosofia: 
“A Filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual”.
Ou seja, a Filosofia não serve para nada. 
Por isso, se costuma chamar de “filósofo” alguém sempre distraído, com a cabeça no mundo da lua, pensando e dizendo coisas que ninguém entende e que são perfeitamente inúteis.

Essa pergunta, “Para que Filosofia?”, tem a sua razão de ser.
Em nossa cultura e em nossa sociedade, costumamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se tiver alguma finalidade prática, muito visível e de utilidade imediata.
Por isso, ninguém pergunta para que as ciências, pois todo mundo imagina ver a utilidade das ciências nos produtos da técnica, isto é, na aplicação científica à realidade.

Todo mundo também imagina ver a utilidade das artes, tanto por causa da compra e venda das obras de arte, quanto porque nossa cultura vê os artistas como gênios que merecem ser valorizados para o elogio da humanidade. Ninguém, todavia, consegue ver para que serviria a Filosofia, donde dizer-se: não serve para coisa alguma.

Parece, porém, que o senso comum não enxerga algo que os cientistas sabem muito bem. As ciências pretendem ser conhecimentos verdadeiros, obtidos graças a procedimentos rigorosos de pensamento; pretendem agir sobre a realidade, através de instrumentos e objetos técnicos; pretendem fazer progressos nos conhecimentos, corrigindo-os e aumentando-os.

Ora, todas essas pretensões das ciências pressupõem que elas acreditam na existência da verdade, de procedimentos corretos para bem usar o pensamento, na tecnologia como aplicação prática de teorias, na racionalidade dos conhecimentos, porque podem ser corrigidos e aperfeiçoados.
Verdade, pensamento, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre teoria e prática, correção e acúmulo de saberes: tudo isso não é ciência, são questões filosóficas.
O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a Filosofia quem as formula e busca respostas para elas.
Assim, o trabalho das ciências pressupõe, como condição, o trabalho da Filosofia, mesmo que o cientista não seja filósofo. No entanto, como apenas os cientistas e filósofos sabem disso, o senso comum continua afirmando que a Filosofia não serve para nada.Para dar alguma utilidade à Filosofia, muitos consideram que, de fato, a Filosofia não serviria para nada, se “servir” fosse entendido como a possibilidade de fazer usos técnicos dos produtos filosóficos ou dar-lhes utilidade econômica, obtendo lucros com eles; consideram também que a Filosofia nada teria a ver com a ciência e a técnica.
Para quem pensa dessa forma, o principal para a Filosofia não seriam os conhecimentos (que ficam por conta da ciência), nem as aplicações de teorias (que ficam por conta da tecnologia), mas o ensinamento moral ou ético.

A Filosofia seria a arte do bem viver.
Estudando as paixões e os vícios humanos, a liberdade e a vontade, analisando a capacidade de nossa razão para impor limites aos nossos desejos e paixões, ensinando-nos a viver de modo honesto e justo na companhia dos outros seres humanos, a Filosofia teria como finalidade ensinarnos a virtude, que é o princípio do bem-viver.

Essa definição da Filosofia, porém, não nos ajuda muito. De fato, mesmo para ser uma arte moral ou ética, ou uma arte do bem-viver, a Filosofia continua fazendo suas perguntas desconcertantes e embaraçosas:
O que é o homem?
O que é a vontade?
O que é a paixão?
O que é a razão?
O que é o vício?
O que é a virtude?
O que é a liberdade?
Como nos tornamos livres, racionais e virtuosos?
Por que a liberdade e a virtude são valores para os seres humanos?
O que é um valor?
Por que avaliamos os sentimentos e as ações humanas?

Assim, mesmo se disséssemos que o objeto da Filosofia não é o conhecimento da realidade, nem o conhecimento da nossa capacidade para conhecer, mesmo se disséssemos que o objeto da Filosofia é apenas a vida moral ou ética, ainda assim, o estilo filosófico e a atitude filosófica permaneceriam os mesmos, pois as perguntas filosóficas - o que, por que e como - permanecem.




 


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