obras

"Nos resquícios arquitetônicos destas pinturas encontra-se um signo, um réptil cuja imagem transcende ao período atual. Este elemento é capaz de transportar o observador a um mundo primitivo, ao presente momento, e também ao mundo livre da imaginação.

O fossilismo (no sentido de apego) do artista a tal elemento - o réptil - propõe tal animal como parte principal da elaboração de suas obras atuais. O vínculo com a arquitetura acompanha a trajetória artística de Fernando da Luz, também como professor. No início, ele criava com elementos rebuscados da arquitetura, hoje, após repensar sua construção pictórica, opta por suavizar tais características em suas telas. Suas novas criações possuem detalhes, resquícios de suas antigas arquiteturas acrescentadas do réptil atemporal que persiste em sua trajetória.

O espectador é fisgado pelo olhar do artista que elege o ângulo exato para compor os elementos que constituem suas telas. Olhar transposto nas imagens das pinturas. O observador capta através dos detalhes destas representações a importância ressaltada do réptil na produção atual de Fernando, e o quanto estes elementos da arquitetura vão tornando-se mais sutis para ele. O animal vence o mundo do concreto, frio e pesado. O fóssil do ontem, hoje surge a vida, e amanhã nessas telas deixará sua história.

Tais obras transportam a um tempo que necessita ou mantém uma relação intensa com a arquiologia, um tempo de descoberta, de decifrar, de buscar o que transcende a um período específico simplesmente. Libertando-nos a imaginar o enigma deste estranho animal, e o que ele representa para a pessoa de Fernando."

Fernanda Aiub Branchelli Porto Alegre,2004

Curadora de Arte